Dentro de Graceland - Capítulo 5



LISA MARIE

De todos os acontecimentos que trouxeram felicidade para Elvis durante o tempo em que o conheci, nada se compara ao nascimento de sua filha, Lisa Marie.
Ela trouxe-lhe uma mudança sem igual. Quando ela entrou em sua vida, tudo em Graceland mudou, como raios de sol enchendo uma sala.
Muitas pessoas que conheciam Elvis receavam que ele não estivesse pronto para o desafio da paternidade. Logo ficou comprovado que elas estavam erradas. Como todos os demais, eu estava muito animada com a expectativa de um bebê dentro dos muros de Graceland.
Ainda me lembro do dia que Priscilla entrou em trabalho de parto. Ela entrou no quarto de Dodger e disse que achava estar na hora de ir para o hospital.
Dodger perguntou: "Sua bolsa estourou?", e Priscilla respondeu: "Sim, estourou”. Dodger, sentindo medo e nervosismo na voz de Priscilla, tentou tranquilizá-la.
"Está tudo bem, querida", disse a Priscilla. "Eu passei por isso seis vezes e prometo que tudo vai ficar bem”.
Priscilla foi para a sala, sentou-se no longo sofá e esperou pacientemente. Elvis e alguns dos caras reuniram todas as bolsas e malas de viagem que já tinham sido preparadas para o grande evento, e levaram-nas para fora, pondo-as nos carros estacionados na frente.
Admirei a doçura de Elvis quando entrou. Ele ajudou Priscilla a levantar, em seguida entrou no quarto de Dodger e beijou-a na testa, enquanto ela estava sentada na cadeira de balanço perto da porta. Ele estava tão nervoso que chegou a comentar com a avó, e ela finalmente teve de lembrá-lo de Priscilla. Ele beijou-a novamente e ela agradeceu e disse: "É melhor você pegar aquela menina agora e levá-la para o hospital... e dirija com cuidado!"
Todos saíram pela porta da frente e se dirigiram para o hospital.
Pelos padrões normais da maioria das pessoas, essa era uma tarefa bastante rotineira, mas não para Elvis Presley. Havia dois carros diferentes prontos para ir - um era de reserva, para o caso do outro quebrar, o que era praticamente improvável, dada a qualidade dos carros que Elvis dirigia.
Elvis e sua comitiva estavam tão empolgados que eles quase acabaram no hospital errado. Mas, com o equívoco desfeito, Priscilla acabou no hospital certo e a pequena Lisa Marie nasceu naquela tarde.
Eu estava certa de largar do trabalho às 17:00 daquele dia, mas preferi ficar esperando Elvis retornar com as boas novas.
Todos corremos para a frente da casa quando o vimos chegando, e fizemos uma aglomeração enorme em torno dele quando ele entrou.
Ele anunciou que Lisa Marie nascera, e que a mãe e o bebê estavam bem. Não sabíamos, até que ele nos dizer, que o bebê era uma menina.
Ele nos agradeceu por todo o apoio e, após recuperar o fôlego, relatou todos os eventos emocionantes do dia. Sua excitação era tão contagiante, que todos queríamos compartilhar com ele.
Ele disse à avó: "Eu amo minha menina até à morte! Nós vamos ter um menino da próxima vez!" Ele sorriu e completou, extasiado: "Nós vamos ter vinte filhos!"
Eu disse a ele: "Bem, você só tem mais dezenove pela frente”. Todo mundo riu.
(Várias semanas mais tarde Priscilla e eu estávamos conversando e eu mencionei, provocativamente, o que Elvis tinha dito sobre querer 20 crianças. Ela riu e respondeu: "Bem, ele vai ser o único a tê-los, porque eu não terei mais!").
Antes de sair, perguntei a Elvis se eu poderia preparar-lhe algo para comer. Imaginei que ele provavelmente não teria comido muito no hospital, mas ele respondeu: "Obrigado, Nancy, mas estou muito eufórico para comer qualquer coisa agora”. Assim fui embora depois disso.
Passaram-se alguns dias antes da chegada da pequena Lisa. Eu estava fora no dia em que ela chegou e fiquei muito ansiosa para começar o trabalho no dia seguinte, para finalmente poder ver o bebê.
Mal tive tempo de me organizar; em vez disso, subi correndo as escadas em direção ao novo berçário.
Lisa estava dormindo em um pequeno berço no meio da sala. A primeira coisa que pensei foi sobre como ela era linda, a cabecinha cheia de cabelos escuros. Ela dormia profundamente quando entrei, em silêncio, na sala. Pensei estar contemplando um pequeno anjo. Olhando para ela, eu sabia que as coisas estariam prestes a mudar em Graceland.
A parte de trás do quarto, antes usada como uma informal sala de reunião com uma mesa redonda, havia se transformado num berçário, cuidadosamente decorado por Elvis e Priscilla, numa bonita combinação de amarelo e branco.
Armários foram instalados em duas paredes, e uma pequena cama em estilo beliche, que durante o dia era convertida em sofá, tinha sido colocada contra a parede, à direita da porta, quando se entra na sala. Seria usado pelas babás para cuidar de Lisa. Foi colocada uma cadeira encostada na parede, entre o sofá e o berço.
A combinação "cama/sofá" tinha uma cobertura amarela feita sob encomenda. Anos mais tarde, quando a cama foi retirada do quarto, tia Delta me deu a cobertura. Eu ainda a tenho e a guardo como um dos meus bens mais valiosos. Nunca olho para ela sem lembrar da pequena Lisa engatinhando em cima dela.
Lisa sempre se divertia muito quando ficava perto de Elvis. Ela realmente se tornou a alegria de sua vida. Vê-la crescer foi um grande prazer para ele, bem como para todos nós.
Eles adoravam brincar juntos. Ele a deitava de bruços na cama e maravilha-se por longo tempo dizendo como ela era bonita.
Quando ela ficou mais velha, gostava de esconder-se atrás dele e fazer cócegas quando ele menos esperava. Era um prazer estar limpando a casa e, de repente, ouvir gritos de alegria vindos da sala ao lado. Às vezes era difícil saber qual dos dois estava se divertido mais.
Eles também adoravam inverter os papéis. Lisa fingia ser a "mamãe", e Elvis deixava que ela o  alimentasse enquanto estavam sentados na enorme cama [dele]. Uma bonita cena - apesar de eu ter de recolher os restos de comida de cima da cama, ao longo dos anos!
À medida que Lisa crescia, enfrentávamos os mesmos problemas com ela, como em qualquer outra família. E isso, naturalmente, incluía a comida. Assim como seu pai, havia alimentos que ela gostava, bem como aqueles que não gostava. Ela adorava macarrão, queijo, creme de batatas, frango frito, hambúrgueres, batatas fritas e torradas com geleia de uva, entre outras coisas.
Ela não gostava muito de leite. Tentávamos fazê-la beber, mas ao invés de leite ela nos pedia Pepsi ou suco de laranja. Finalmente conseguimos fazer ela beber leite de vez em quando, graças a algo chamado "calda de chocolate”.
Como seu famoso pai, ela tinha enorme queda por doces.  Ela sempre me pedia para fazer sua sobremesa favorita, bolo de chocolate com sorvete de baunilha.
Sempre ficávamos apreensivos com o fato de ela comer muito doce, então tentávamos limitar-lhe as porções de doces.
Isso até deu certo enquanto ela era menor, mas quando ficou mais velha e mais “esperta”, ela descia as escadas dizendo: "Mamãe disse que eu posso comer mais um pedaço de bolo”. Nós bem sabíamos, claro, que Priscilla sempre nos apoiava quando não dávamos muito doce para a menina. Elvis, por outro lado, a mimava, sempre fazendo as vontades dela.
Um dos deleites favoritos de Lisa era que servíssemos suas refeições no quarto dela, na sua cama redonda "estilo hambúrguer”. Elvis tinha uma cama semelhante no camarim dele, e Lisa gostava tanto de brincar nela que ele acabou comprando uma para o quarto dela. Na verdade era mais agradável do que a cama original de Elvis. Tinha um sistema de rádio e televisão, degraus e também  um espelho embutido no teto. Lisa deitava na cama e se observava  comendo.
Ela sempre foi muito independente. Uma das coisas que a deixava irritada, ainda criança, era quando pensava que estávamos tratando-a como um bebê. Ela não suportava isso. Ela gritava: “Não me chame de bebê, eu não sou um bebê!" Ela também não gostava de ser tocada ou acariciada de forma alguma. Tentar pentear o cabelo dela quando ela era menor podia às vezes ser um verdadeiro desafio.
Como todas as meninas ela adorava brincar com maquiagem e usar roupas de adulto. Ela costumava vasculhar os armários de tia Delta e da mãe, tentando encontrar a "roupa perfeita”. Lembro muitas vezes dela passeando em torno da casa, de saltos altos e vestidos enormes - o bastante para ela se esconder dentro deles!
Priscila também achava isso bonitinho, até o dia em que Lisa pegou o kit de maquiagem dela em seu banheiro, no andar de cima, despedaçando quase todos os tubos de batom. Eu passei várias horas tentando encontrar os pedaços dos batons.
Como todas as crianças, Lisa gostava de nadar. Ela foi uma ótima atleta e nadava bastante na piscina em Graceland.
Tia Delta e eu passávamos horas na beira da piscina, como "salva-vidas" de Lisa. Como eu não sabia nadar me sentava na parte rasa, com as pernas balançando na água morna. Tia Delta, que sabia, ficava sentada ao meu lado, pronta para saltar em caso de necessidade, mesmo depois que Lisa se tornou melhor nadadora que tia Delta.
Lembro que um dia Lisa estava se divertindo no meio da piscina e tia Delta falou que precisava verificar alguma coisa mas logo estaria de volta. Ela só esteve fora alguns minutos quando Lisa mergulhou até o fundo da piscina. Assisti à cena alarmada, parecendo-me uma eternidade o tempo em que ela esteve lá em baixo.
Comecei a ficar preocupada achando que algo tivesse acontecido com ela e que eu teria de alguma forma "superar" o meu medo de água e mergulhar em seu socorro; comecei a gritar: "Lisa, você está bem, querida?" Não recebendo resposta, eu gritei mais alto; quando estive prestes a saltar, ela emergiu, com um grande sorriso no rosto, e  gritando: "Eu acho que, durante todo esse tempo, você só estava esperando para ver quanto tempo eu aguentaria ficar embaixo d’água!" Eu "envelheci” 5 anos naquele dia.
Sob todo o seu encanto travesso, Lisa aos poucos se transformava em uma doce menina. Considerando quem ela era e o “poder” que exercia como filha de Elvis Presley, ela às vezes se tornava muito carinhosa com as pessoas ao seu redor, e nutria um carinho especial por Minnie Mae. Lisa entrava no quarto dela e perguntava: "Como você está hoje, vovó?", e, se Minnie Mae respondia: "Eu não estou muito bem hoje, querida", então Lisa respondia: "Oh, que pena”. Eu podia sentir que ela realmente se importava.
Essa afeição também era  estendida a Vernon,  a quem ela chamava "mamão". Eles tinham um relacionamento muito caloroso e próximo. Vernon sempre tinha tempo para compartilhar um sorriso e um abraço toda vez que ela estava por perto.
Embora eu acho que Lisa amasse tia Delta, ela não era muito íntima dela. Ela me disse certa vez: "Eu gosto de tia Delta, mas ela xinga demais”.
Depois da morte de seu pai, Lisa, quando retornava a Memphis, não gostava de passar a noite em Graceland. Ela normalmente acabava ficando na casa de sua prima, Patsy. Havia várias razões para isso.
Por um lado, ela não se sentia confortável perto de tia Delta, como ela se sentia com os outros membros da família. Mesmo unidas pelo parentesco, tia Delta não tinha esse jeito caloroso e atencioso com ela, como alguns dos outros membros da família.
Outra razão foi um incidente que assustou Lisa. Ela e uma amiga tinham passado a noite no quarto de tia Delta (tia Delta estava ausente), e elas foram acordadas no meio da noite por ruídos, vindos de fora da janela do quarto. Nunca descobrimos se foi realmente algo que elas ouviram ou se foi só imaginação, mas, em todo caso, isso deixou uma impressão duradoura em Lisa, e ela não gostava de ficar ali [em Graceland] depois disso.
Também acho que ela não se sentia confortável em casa depois da morte do pai. Foi uma pena, porque ela tinha gostado tanto de crescer ali. Notei uma mudança nela, no entanto, sempre que ela vinha para Graceland após a morte dele.
Lembro de tê-la visto lá em cima uma única vez, vários anos depois que seu pai morreu, quando ela me pediu para ir até seu quarto com ela. Ela ficou muito quieta quando entramos no quarto, ficou parada olhando ao redor por alguns minutos e, em seguida, aproximou-se e pegou um boné preto e branco de seu guarda-roupa e saiu do quarto com ele. Acho que só de saber que o pai tinha morrido lá em cima foi demais para ela. Acho que a maioria das crianças na idade dela agiria igual.
Um dia, Lisa veio correndo para dentro da casa, chorando. Perguntei-lhe o que estava errado, mas ela não quis me dizer. Tia Delta entrou no quarto, mas Lisa também não quis contar a ela.
Patsy me contou mais tarde que Lisa tinha ouvido tia Delta dizendo algumas coisas desagradáveis com Priscilla sobre como ela estava falando em abrir Graceland para o público.
Aparentemente, tia Delta reclamou sobre Priscilla não se preocupar com ela e Dodger e, por causa disso, ela falou daquele jeito com Priscilla.
Descobrimos mais tarde que, depois de ter ouvido tia Delta dizer essas coisas, Lisa a confrontou e, em seguida, discutiu com ela e gritou: "Você não gosta de ninguém, você só sabe xingar pelas costas!”
Como a maioria das brigas em família, as coisas voltaram ao normal dentro de alguns dias e o incidente foi logo esquecido.
Um dos passatempos favoritos de Lisa era andar ao redor de Graceland no pequeno carrinho azul de golfe que Elvis mandara fazer especialmente para ela. Tinha até o nome “Lisa Marie”, pintado na lateral. Ela dirigia tão rápido quanto podia, virando as curvas, às vezes sobre duas rodas, quando ela manobrava em volta do trajeto e das calçadas da mansão. A gente às vezes “tinha a vida por um fio”, só andando pelas redondezas, enquanto Lisa pilotava seu carrinho de golfe.
Ela passava horas, muitas vezes com um ou dois dos seus amigos a bordo, explorando os confins do seu "reino”.
Um dia eu estava lá fora fazendo algo e a vi, sozinha, conduzindo o carrinho ao longo da parede lateral. Eu estava perto o suficiente quando a ouvi dizer a um fã (que a observava pela parede) que ele não devia estar ali.
Aparentemente o fã perguntou: "Quem é você?", e Lisa, levantando-se imponentemente em seu carrinho de golfe, gritou: "Eu sou a dona deste lugar! Isso é tudo meu! É isso que eu sou!" Ela então rapidamente saiu enquanto eu procurei chamar o segurança. “Esta é a casa dela, e, como o pai, ela sempre irá defendê-la”.
Um carrinho de golfe foi a causa da demissão de uma das enfermeiras de Lisa, quando ela era mais jovem. A enfermeira, uma senhora alemã, tinha sido recentemente contratada por Priscilla para cuidar de Lisa. Ela tinha acabado de pôr Lisa na cama e saiu para uma pausa, quando então ela viu um dos carrinhos de golfe estacionado e decidiu dar uma volta nele. Aparentemente ela nunca dirigira um carrinho de golfe antes, pois não parecia estar familiarizada com seu manuseio. Ela dirigiu ao redor da entrada da garagem até à frente da casa, desceu pela calçada, e foi direto para a parede de pedra na frente, à esquerda da cabine do guarda.
Ela foi conduzida ao hospital para tratar alguns ferimentos leves e foi prontamente demitida por Priscilla quando retornou. Na época todos ficamos muito aliviados com o fato de Lisa não estar no carrinho quando aconteceu o acidente.
A enfermeira contratada para substituí-la também não durou muito tempo. Ela era bastante idosa e muitas vezes precisava largar mais cedo da casa porque se cansava facilmente. Em outras palavras, como ela “não dava conta do recado”, só sobrava para tia Delta e eu.
Nós duas passávamos muitas tardes sentadas no "sofá-cama", no quarto de Lisa, tomando sol e conversando sobre tudo, enquanto esperávamos Lisa cair no sono.
Delta uma vez me disse: "Não sei como cuidar de um bebê. Nunca tive meus próprios filhos." Ela então comentou que se sentia mais confortável com seu cachorrinho, "Edmund”. Rindo, disse: "Talvez eu goste mais de cães do que de pessoas; eles não falam mal de você pelas costas, como as pessoas fazem”.
Como todo jovem, Lisa às vezes ficava entediada em casa. Quando era mais nova, ela e uma amiga inventaram um jogo com o telefone. Elas juntavam números de forma aleatória, criando “números de telefone” para, em seguida, discar esses números. Faziam isso até chegarem num número que atendesse. Uma vez com alguém no telefone, elas tentavam envolvê-lo em uma conversa sem sentido.
Coisas como “a rotina do príncipe Albert vivendo dentro de uma lata”, ou "A sua casa fica na parada do ônibus?" - brincadeiras desse tipo. Claro, tudo era feito como uma diversão inofensiva. (Muitas vezes me perguntei, enquanto ouvia essas ligações, o que as pessoas do outro lado da linha diriam se soubesse que estavam recebendo "trotes" da filha de Elvis Presley). Também fico imaginando o que Elvis teria dito se descobrisse o que elas estavam fazendo. Mas, como tantas outras “travessuras”, essa também permaneceu um segredo entre mim e Lisa.
Parece que tudo o que ela fazia enquanto crescia era bonito. Como a maioria das crianças pequenas, ela poderia criar uma bagunça num piscar de olhos. Em muitas ocasiões, eu entrava num quarto e a encontrava com alguma coisa em cima dela ou no chão.
Numa dessas ocasiões a encontrei com o rosto todo manchado de maquiagem e, sem pensar, gritei: "Senhor, tem piedade desta criança!" Por várias semanas seguintes, eu ouvi sua adorável voz na outra sala gritando tão alto quanto podia: "Senhor, tem piedade, desta criança!"
Sempre fiquei maravilhada em como ela era adorável, apenas sentada em frente à TV, assistindo seu programa favorito, "Vila Sésamo". Ela dava um pulo e em seguida imitava os personagens "Big Bird”, “Bert” e “Ernie”.
Aqueles de nós que tiveram a oportunidade de vê-la crescer tiveram a mesma sensação - sentir como se Lisa fosse nossa própria filha. Compartilhamos tudo da vida dela, os altos e os baixos. Levávamos isso muito a sério. Não apenas porque isso era esperado de nós, mas porque de fato a amávamos e queríamos o seu bem.
Consequentemente, quando ela se mudou para a Califórnia após o divórcio dos pais dela, isso foi como perder um membro de nossa própria família. E quando ela voltava para nos visitar (o que ela fazia com frequência), era como um membro da família que retornava para o lar.
Mesmo após seu primeiro casamento e ter se mudado para a Flórida com o marido, Danny Keough, nós todos ainda sentimos ser responsáveis por ela.
Como todo jovem cônjuge, ela teve problemas ocasionais no início do casamento. Acho que ela estava realmente apaixonada por Danny mas, depois que eles se mudaram para a Flórida, ela começou a ligar para Graceland. Eu mesma atendi vários telefonemas dela apenas para encontrá-la chorando do outro lado da linha, pedindo para falar com tia Delta. No início, tia Delta era simpática e atendia todas as ligações de Lisa.
Eventualmente, no entanto, ela começou se recusando a atender as ligações. Várias vezes ela me disse (com Lisa esperando na linha): "Não acho que seja realmente Lisa que está ligando”. Preocupada com Lisa, eu respondia: "Mas, Sra. Delta, e se ela estiver magoada ou realmente com problemas?", ela retrucava: "Bem, mesmo se for ela, ela vai encontrar uma forma de resolver isso”. Eu acabava tendo que dizer a Lisa que tia Delta não estava disponível para atender a sua ligação. Aparentemente tia Delta era da opinião que Lisa precisava aprender a lidar sozinha com seus problemas. De qualquer forma, eu me sentia envolvida, e isso não me agradava.
Muitas vezes perguntaram minha opinião sobre o casamento de Lisa e Michael Jackson. Alguém sempre me perguntava: "Você acha que eles são realmente casados?" Eu respondia: "Sim, eles são de fato casados”. Meu sentimento era que Michael nunca poderia ser um pai para os filhos dela. Acho que, por um tempo, de qualquer maneira, Lisa apreciava ver Michael sendo o centro das atenções.
Eu acredito que foi mais um casamento de conveniência e amizade do que qualquer outra coisa. Eles não precisavam do dinheiro um do outro. Michael era uma estrela no centro das atenções, assim como fora Elvis. O casamento durou apenas 18 meses; fiquei até surpresa que durasse tanto. Mas fiquei feliz porque Michael nunca tentou "usar" Lisa Marie, sob qualquer má intenção. Não acho que Elvis teria aprovado esse casamento. Eu penso que o primeiro, único, e verdadeiro amor de Lisa foi Danny, o pai de seus dois filhos.
Depois veio a surpresa do anúncio do casamento de Lisa com o ator Nicholas Cage. Mas esse casamento foi tão curto que nem vale a pena comentar. Meu único desejo para Lisa é que, um dia, ela encontre a felicidade e a satisfação. É de coração que desejo isso para ela, depois de todos esses casamentos “naufragados” até agora, e espero que algum dia ela encontre o homem certo.

Isto é um trecho de "Dentro de Graceland", de autoria de Nancy Rooks, ex-empregada de Elvis Presley, um testemunho precioso do dia-a-dia do rei do rock, cobrindo os últimos 10 anos de sua vida. A tradução em português é de Roseane Maria Silva, e eu tive o privilégio de revisar o texto e compilar o e-book em PDF. Baixe-o gratuitamente aqui.

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