Vester Presley (1914-1997) era irmão de Vernon;
portanto, tio de Elvis. Não pude identificar a data desta entrevista.
Vester, quando você reconheceu que havia uma
verdadeira estrela na sua família – o seu sobrinho Elvis Presley?
Bem... antes de
Elvis gravar seu primeiro disco, trabalhávamos no que é chamado “companhia de
precisão”: eram contratos do governo. Naquele tempo Elvis era menor de idade,
mas nós conseguimos colocá-lo para trabalhar porque conhecíamos as pessoas
certas (ou seja, contatos). Mas quando descobriram que ele era menor, eles o
dispensaram. Naquele tempo eu já havia escutado ele cantar há um ano ou dois e
era um pouco estranho. Ele começou cantando blues e eu disse: “Cara, como você
tem talento!” Eu era realmente do tipo que acompanhava as novidades no mundo e
quando ele parou e veio com seu primeiro disco, foi uma loucura, e todas as
pessoas que trabalhavam na empresa de precisão, depois de ter conhecido o Elvis
(porque ele trabalhou lá por um tempo), elas também ficaram doidas; um rapaz
falou que o pai dele dissera que Elvis não sabia nem cantar, mas quando o ouviu
[depois de gravar], o pai dele mudou de ideia.
Então desde o começo você já tinha percebido?
Sim, eu já havia
percebido.
Mas você tinha alguma ideia da quantidade de dinheiro
que poderia ser ganha no setor de gravações musicais ou você acha que isso
incomodava o Elvis de alguma forma?
Não, eu acho que
não. Eu acho... ele costumava me dizer: “Tio Vester, você tem que ver o quanto
essas músicas compensarão por si só, apenas com as pessoas ligando e pedindo
para tocar as músicas no rádio – milhares
e milhares de dólares!” Você vê, eu não sabia que eles faziam isso.
Naquela época, você era pago porque alguém ligava e pedia por suas canções, mas
ele disse “milhares de dólares” porque as pessoas ligavam e pediam por suas
músicas e eu não sabia nada sobre isso.
Alguma vez o Elvis sentou com você apenas como um tio
e seu sobrinho? Ele o visitava bastante?
Sim, nós fazíamos
muito isso anos atrás, sabe, mas, como eu disse, nos últimos anos... eu diria,
4 ou 5 anos antes dele falecer...ele ficava muito na parte de cima da casa. Ele
chegava muito cansado e nós não queríamos incomodá-lo. Então, acho que talvez
por essa razão ninguém foi até o quarto [dele] e nós não sabíamos o que se
passava, porque nós não íamos lá para cima para incomodá-lo. Ele ia dormir de
manhã e acordava à noite, então ele tinha que ter o seu próprio tempo definido
para que pudéssemos acordá-lo. Os ajudantes o acordavam quando era a hora de
acordar. Então era desse jeito que fazíamos.
Eu ouço falar bastante que o Elvis tinha um circuito
fechado de câmeras na TV do quarto dele, na parte de cima, e ele assistia os
fãs que estavam no portão da casa dele. Era uma das coisas favoritas dele? Ele
fazia mesmo?
Sim, ele fazia.
Ele alguma vez ligou e perguntou por alguém, quem
era, e você descobriu o nome para ele?
Uma vez ele
pediu. Ele ligou e falou: “Tio Vester, tem uma garota de vestido vermelho (foi
em uma noite). Diga a ela que pode subir aqui”.
Sério? Quem era? Você lembra?
...acho que era
uma garota de Nashville ou daqui perto.
Eu aposto que ela não pôde acreditar.
Não. Mas ela foi.
Quando contei para ela, ela começou a tremer toda, sabe. Ela perguntou se ele
indagou por mais garotas e eu disse que não, que ele só perguntou por uma.
Então ela foi lá em cima e ficou por uns 3 dias.
Vester, quem te dava permissão para as pessoas
passarem para dentro e fora do portão? Você apenas seguia as ordens do Elvis?
Não. Eu seguia as
ordens do Vernon naquela época. Porque Elvis dava as ordens a ele. Ele dizia ao
pai o que fazer e no que ele deveria ajudar ou não. Foi ideia do Elvis abrir
[Graceland] para o público... é difícil acreditar que uma pessoa abriria a
porta da frente para 500, 600 ou até 3000 naquela época, talvez até mais. Eu vi
20, 30 ônibus em um dia, entrando e saindo, de todos os lugares do país, além
das pessoas que vinham sozinhas.
Essas pessoas não esperavam realmente vê-lo, não é?
Não, realmente
não.
O que elas estavam procurando?
Não sei.
O que elas ainda procuram lá hoje?
Eu não sei, mas
elas ainda estão lá. Naquela época elas ficavam lá no portão, a noite toda, 50
a 200 pessoas; pelo menos 200 pessoas no portão a noite inteirinha. Nós
abríamos o portão, elas entravam e sentavam na calçada. Isso tudo para ver se
ele iria sair. Apenas para olhar para ele.
Como ele afetou você, Vester? Você se sentia
dominado, oprimido, por seu sobrinho?
Bom... em casa,
um pouco, mas, no palco, ele mudava para mim também. Era diferente, era como
olhar para um estranho ou algo assim. Porque quando ele entrava naquele humor
era bem diferente do que ele era em casa; não parecia o mesmo Elvis.
É verdade? Uma pessoa completamente diferente?
Uma pessoa
completamente diferente.
E de quem ele tirou a habilidade com a música? Você
canta um pouco, não é?
Eu costumava.
E a mãe e o pai dele?
A mãe dele tocava
harpa francesa, harmônica... o pai dele nunca tocou nenhum tipo de instrumento
ou coisa assim, mas ele tinha uma voz linda para cantar. Ele podia realmente
cantar, mas ele nunca deu muita atenção para isso.
Onde eles começaram a cantar? Na igreja?
Na igreja.
Costumávamos, eu e meu irmão, mais uns outros... nos juntávamos nos fins de
semana e cantávamos. Achávamos alguém que tocasse piano ou órgão. Então eu
tocava... tocava violão.
O Elvis tinha uma boa voz quando era novo?
Sim, ele tinha.
Era bem incomum (a voz), mas era boa sim.
Ele teve aulas quando estava crescendo?
Não.
Acredito que não havia dinheiro para algo assim, não
é?
Não havia
dinheiro. As pessoas não ajudavam com nenhuma ajuda monetária naquela época.
Você precisava ser muito sortudo naquela época para ter alguém ajudando com
dinheiro.
É por isso que você acha que o Elvis fez aquilo com
tantas pessoas? Ele tinha muita gente na folha de pagamento dele, não é?
Sim, ele tinha.
Você faz ideia de quantos, Vester?
Só em Graceland,
37.
Com pagamentos semanais?
Sim, correto.
Contando com os rapazes que iam com ele nas turnês, mais os que tínhamos por
lá, em torno de 23, 37 pessoas estavam na folha de pagamento. Mas ainda tinham
12 que viajavam com ele... ele precisava deles nas estradas porque poderia
ficar bem ruim viajando.
O que você acha sobre alguns dos amigos dele e
algumas das pessoas que trabalhavam com ele? O que você sente sobre os livros
que eles escreveram?
Bom... sem
comentários...
E sobre o capitalismo cercando Graceland agora?
Bom, depois que
meu irmão morreu eu tive que ser grosseiro com algumas pessoas, falando-lhes
com aspereza. Eu não gosto de fazer
isso, mas... mas eu me senti muito mal. As pessoas sabiam que ele [Elvis] havia
morrido, pois as câmeras e os jornalistas estavam em volta, e eles ainda assim
vinham andando pra lá e pra cá, como se nada tivesse acontecido. Eu fiquei um
pouco agitado e eles pararam quando trancamos o lugar. Então os policiais foram
muito legais: vieram e fizeram-lhes parar por 3 ou 4 dias.
Vester, obrigado por compartilhar suas memórias
conosco.
Obrigado.
Isto é um trecho de meu e-book "Conhecendo Elvis Por Quem o Conheceu", que você pode adquirir diretamente comigo aqui.

Comentários
Postar um comentário