Além de membro da “máfia de Memphis”, Charlie Hodge
(1934-2006) era também músico e assistente de palco de Elvis; há quem considere
que Hodge foi um dos mais sinceros (ou o mais sincero) amigos de Elvis. Nesta
entrevista (data incerta), Hodge conta um pouco sobre seu relacionamento com o
Rei.
Quando foi a primeira vez que você ouviu o nome de
Elvis Presley?
Wanda Jackson
tinha completado sua turnê do Grand Olé Opry e disse: "Charlie, você já
ouviu falar de Elvis Presley? Parece que ninguém consegue acompanhá-lo".
Assim me nasceu o interesse de ver este jovem artista. O vi pela primeira vez
no Ed Sullivan Show, cantando "Blue Moon of Kentucky", como nunca
tinha ouvido [alguém cantar] antes. Fiquei perplexo e impressionado. Lembro-me
de pensar que aquele cara era o maior. Ele simbolizava o início de uma nova era
de estilo musical.
Quando conheceu Elvis pessoalmente?
Nos bastidores,
em Memphis. Eu estava num espetáculo da estação de Televisão ABC, onde tínhamos
o melhor grupo gospel da época. E vocês sabem que Elvis amava a música gospel.
Ele tinha ido aos bastidores para nos conhecer - a mim e ao meu quarteto. Não
voltei a vê-lo até ele ser convocado para servir o Exército. Ele não me
reconheceu. Eu tinha um corte de cabelo que era o meu melhor disfarce. Fui ter
com ele e lhe perguntei quando fora a última vez que ele tinha visto a Wanda.
Ele olhou para mim e disse: "Ei, sua cara me parece familiar", e eu respondi: "Sou o Charlie, fui
vocalista dos Foggy River Boys". "Ei, eu te via todos os sábados à
noite!", disse Elvis. Imaginem a cara do Elvis ao me reconhecer!
Você esteve com Elvis na Alemanha?
Sim, ambos fomos
para Fort Hood. Mas nunca ficamos juntos no mesmo posto. Na viagem de trem para
Jersey é que pudemos conversar sobre pessoas que conhecíamos no mundo gospel.
No navio para a Alemanha ele me pediu para dividirmos o alojamento. De início ele tinha sido colocado com uns
sargentos para que as tropas não o aborrecessem, mas ele não conhecia ninguém.
Então ele foi falar com o capitão e pediu para ficarmos juntos e o resto, como
se diz, é história.
Como Elvis era tratado no Exército?
Lembro-me de uma
vez em que estávamos dormindo, comendo e vivendo no meio da neve, quando surgiu
um coronel que disse para Elvis ir a Miami para uma grande convenção e depois
para Paris. Ele olhou para o coronel e disse: "Senhor, estão aqui 15 mil homens
que, tal como eu, estão dormindo sob o gelo e, para mim, abandoná-los, receber
esse tratamento especial e depois voltar e olhá-los nos olhos - eu não conseguiria fazer isso!”
Quais eram os gêneros musicais preferidos de Elvis?
Ele gostava de
todos os tipos de música. Ele tinha muitos álbuns. Vários artistas de country,
pop e gospel. Ouvia muitas vezes Mario Lanza. Mesmo em Memphis, quando era
jovem, ia muitas vezes a um lugar chamado Blues Alley e passava horas ouvindo
cantores de blues. Ele ouvia desde gospel até música sinfônica. Ele apreciava
diferentes e variados estilos musicais. Mas adorava mesmo o gospel, em especial
J.D. Sumner. J.D. costumava deixar Elvis entrar nos bastidores para ver os
Blackwood Bothers cantando. Naquele tempo, Elvis era tão pobre que nem tinha
dinheiro para ver o grupo atuar, por isso, J.D. deixava-o entrar. Elvis nunca
esqueceu o que J.D. fez por ele.
Quais eram as influências [musicais] de Elvis?
Vocês ficariam
surpreendidos; ele usava certos sons, a
que chamava a sua voz de Billy Erstein, na música "Fame and Fortune".
Ele adorava a voz de Mario Lanza e conseguia mesmo cantar tão alto como ele.
Elvis tinha uma extensão vocal de três oitavas, o que é fantástico para um
cantor sem formação. Ele nunca teve aulas de canto na vida. De qualquer
maneira, a nota mais alta que o Mario Lanza conseguiu foi um Dó acima do Dó
central e eu ouvi Elvis cantar um Dó acima muitas vezes em palco.
Qual era o álbum favorito de Elvis?
Elvis tinha uma
grande variedade de álbuns. Acho que sua escolha iria recair sobre qualquer
álbum gospel que ele gravou.
Você participou de vários filmes de Elvis, não foi?
Participei de
"Clambake", no papel de barbeiro. Apareci numa pequena cena em
"Charro", fazendo um mexicano, na cena em que Elvis aparece na
cidade. Também atuei em "Stay Away Joe". Lembro-me de um episódio
engraçado, quando, numa cena de pancadaria dentro da casa, Elvis olhou para a
porta da rua, onde eu estava com a banda. A câmera estava filmando Elvis do seu
lado esquerdo e ele diz para tocarmos alguma coisa pois estão com problemas
dentro de casa e ambos desatamos a rir, pois isso não estava no roteiro. A
razão de rirmos tanto, foi que estava muito frio e o nariz dele estava
pingando. Numa outra cena, Elvis está perseguindo sua mãe, e ele pega nela e
desata a rir. O que aconteceu foi que o Joe Esposito e eu estávamos ajoelhados
no chão, fora do alcance da câmera. Joe disse: "Ei, Charlie, agarra Elvis
entre as pernas", e eu respondi: "Não, agarra você". Elvis olhou
para baixo e desatou a rir...
Como era Las Vegas [naquele tempo]?
Elvis não atuava
ao vivo desde 1961, e a primeira vez que esteve em Vegas foi vaiado. Quando eu
estava com ele, ficava parado e com um sorriso aberto e eu percebia que ele
queria uma bebida. Recordo-me de uma jovem japonesa ter subido no palco; Elvis
virou-se para ela e lhe perguntou o que ela queria: um lenço ou um beijo. Ela
olhou para ele e disse que não. Elvis perguntou novamente o que ela queria e a
jovem disse: “James Burton”. Elvis deu uma gargalhada estrondosa e acompanhou-a
até ao James Burton, que a beijou. Depois ficou em frente a Elvis. Ele
perguntou se havia mais alguma coisa e ela disse que queria um lenço e um
beijo. Elvis pôs o lenço em volta dela e ela pediu o beijo. "Charlie, -
berrou Elvis - dê um beijo na jovem" e saiu rindo...
Onde você estava quando Elvis morreu?
Fiquei em estado
de choque. Ainda na noite anterior tínhamos ido ao dentista e lembro-me de
Elvis estar brincalhão e divertindo-se. Ele estava ansioso pela nova turnê. Até
tinha umas canções novas que queria cantar. Telefonei ao Felton Jarvis, depois
fui me deitar. Foi a última vez que eu vi Elvis vivo. Estava tudo correndo bem.
Elvis tinha planejado começar a sua própria produtora para fazer filmes e
escolher seus próprios roteiros.
Você tem a sua própria teoria sobre a causa da morte
de Elvis?
A verdade, da
qual ninguém, alguma vez, me convencerá do contrário, é muito simples: Elvis
teve um ataque cardíaco.
Isto é um trecho de meu e-book "Conhecendo Elvis Por Quem o Conheceu", que você pode adquirir diretamente comigo aqui.

É muito bom saber sobre o homem Elvis
ResponderExcluirNão só o cantor e nosso ídolo. Obrigado.
Grato pelo comentário. Em breve postarei mais sobre o Rei!
ExcluirElvis morreu de ataque cardíaco, como afirmou Charlie Hodge e eu acredito piamente que foi esse o motivo, tomou analgésicos receitados pelo dentista e outros para dormir e foi o fim de um grande Sere que Deus criou! Muito obrigada pela excelente entrevista!
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