Depoimento de Sheila Ryan






Sheila Ryan (1952-2012) foi namorada de Elvis em 1976, portanto, uma das últimas. Neste depoimento, ela recorda detalhes de seu relacionamento com o Rei.


“Saí de casa aos 18 anos, e me mudei para Las Vegas, pois tinha amigos lá. Na época namorava um jogador, que não queria me ver por perto. Ele disse: ‘Por que não vai assistir um show de Elvis?’ Fui com uma amiga, e nos sentamos lá nos fundos. Elvis estava muito longe, mas dava pra vê-lo. Dava pra ver seus olhos e o carisma que ele tinha. Quando ele via uma garota, havia um tipo de aposta entre o pessoal que trabalhava com ele. Eles davam notas de 1 a 10, e eu tirei uma nota alta. O importante era saber se queria cuidar dele ou fazia aquilo só por diversão. Parte do trabalho era cuidar dele. O romance durou pouco... cuidar dele foi o que eu mais fiz. Importava mais mantê-lo vivo do que pensar em cinema.  Joe Esposito me levou aos bastidores. Elvis atirou uma uva na minha testa, depois veio e me cumprimentou. Eu fui embora e ele ligou. Convidou-me a voltar a vê-lo e eu fui.

Fui a Los Angeles com ele e passei algum  tempo lá. Depois fomos a Graceland e passei algum tempo lá. Mas foi uma coisa gradual: comecei como sua garota e, logo no começo, ele me deu um carro novo, e um novo guarda-roupa. Acho que isso não acontecia com todas as garotas; tenho certeza que não acontecia.
Eu era jovem, meu pai foi embora e eu estava sem auto-estima. Eu me sentia como se vivesse fora do próprio corpo... era muito estranho. Como acabei saindo com Elvis? É algo quase irreal. Se havia outras garotas, quem era eu para reclamar? Eu sempre gostei da liberdade, e nunca fui exigente... Foi como a lenda da Cinderela. De repente, fui rainha por um dia – ou por um ano. Quando o deixei, um ano depois ele morreu.
Elvis queria Linda [Thompson] por perto. Ela e eu namoramos Elvis ao mesmo tempo.
Elvis amava as mulheres. Amava sua mãe. Acabei aprendendo que, quando um homem ama a mãe, é um bom partido; se um homem não ama sua mãe, não amará mulher nenhuma.
Elvis me dizia que não amara [a Priscilla]; tinha feito uma promessa e cumpriu a promessa, casando com ela. Mas, apesar disso, a separação quase o destruiu. O fato de ela viver sem ele, era o que Elvis não conseguia engolir. Não gostei do que Priscilla fez, e não sei qual foi o seu motivo, mas sei de muita coisa da parte de Elvis e dos amigos; sei de muitas coisas sobre ela – algumas boas, outras ruins. Como qualquer outra pessoa. O que ele podia dizer? A mulher fugiu com outro... mas ele vivia uma vida dupla, como qualquer outro na sua posição. Podia sair com qualquer uma e com quem bem entendesse, mas, quando a mulher se apaixonou por outro, ele queria morrer. Não podia aceitar aquilo. O que ele podia dizer? Que ainda a amava? Não.
Eu queria ser a Número Um, e quase cheguei lá. Ninguém vai a Graceland se não for a Garota Número Um. Acho que Linda caiu para o segundo lugar. Não sei se foi culpa dela, porque não falamos disso. O que aconteceu entre eles, nós nunca discutimos. Eu só fazia o que Elvis queria. Quando ele falava em casamento, acho que estava fingindo; acho que era tudo fingimento. Linda queria casar com ele, e meu pai queria que eu me cassasse com ele, porque estava interessado no dinheiro, na fama e tudo o mais. Mas ele não enxergava o fato de Elvis estar morrendo.
Para que me casar? Para vê-lo morrer? Não. Eu resolvi ir embora. Na primeira vez que o recusei, foi porque gostava de outro. Mas nunca disse ‘não’ a ele. Conheci o pai de meu filho e fiquei com ele uma semana. Eu procurava alguém porque, se ele não me procurava, era porque o caso não era sério. Eu sempre estive disponível. Decidi então resolver o assunto, porque ele ligava toda noite. Fui dormir em meu apartamento e ele me ligou às 4:00 da manhã. Ele disse: ‘Seu cavalo está em Graceland. Linda foi embora e agora somos só nós dois’, e me prometeu o mundo, que era tudo o que eu queria. Mas era tarde demais.
Ele gostava da solidão. Precisava viver assim. Gostava disso e se divertia.
Se Elvis era bom de cama? Ele beijava bem e era romântico. Coisas inusitadas complicavam seu desempenho sexual. Ele tinha medo de engravidar as mulheres. Era difícil para ele... eu não queria dizer isso... era difícil para ele completar o ato sexual... ele tinha que tomar cuidado para não engravidar ninguém. Ele tinha apetite sexual. Eu não gostava, porque era espontâneo para ele e não era espontâneo para mim. Na verdade, ele tomava Valium para poder dormir; ele ficava amoroso e dizia: ‘Sheila, venha cá...’ Bum! E pronto.
Eu vivia viajando, estava exausta, não tinha 15 pessoas cuidando de mim. Então, não era divertido. Eu tinha um ronco horrível e ele acabou chamando o médico e lhe disse: ‘Dr. Tanner, minha namorada ronca’. ‘Então, mande-a para cá’. Operou minhas amígdalas na mesma hora. Mas foi uma fase horrível.
Quando conheci Elvis, ele já consumia drogas demais. Tomava drogas muito fortes para poder dormir depressa e descansar antes dos shows, bem como drogas para acordar depressa e preparar-se para o show, mas sempre tinha disposição.
Quando eu pedia alguma coisa [quando Elvis tomava medicamentos],  ele ficava com raiva e dizia: ‘Joe, pegue o avião; ela vai embora!’ Eram situações difíceis. De repente, seu ódio explodia.
Fiquei cansada numa viagem e fui ver o médico, o Dr. Gonnem. Contei a ele que estava exausta. Precisava descansar uns dias. ‘Diga que estou com um calombo no seio’, pedi. Ele disse que ia me examinar, mas foi falar com Elvis e disse que eu precisava partir. Elvis não queria que eu fosse. Estávamos tomando café e ele estava com raiva. Eu ia embora. Ele jogou o bacon e os ovos e eu corri para o banheiro; ele foi atrás. A porta do banheiro, sanfonada, não me dava proteção. Então, ele entrou, mas parou na hora H.
Quando ele estava com raiva, todo mundo morria de medo. Era muito difícil. Ele era como um boneco de corda. Tinha um bom médico, o Dr. Nickopolous. Mas, para trabalhar como ele, e fazer tantos shows como ele fazia, precisava estar medicado, e isso o deixava sonolento. Então ele vivia nervoso e começando a engordar, porque os comprimidos davam fome.
Era importante estar com ele quando dormia. Ele comia tarde da noite, após tomar remédio para dormir. Às vezes, dormia enquanto comia, e eu precisava ter certeza de que não dormia de boca cheia, porque poderia morrer [entalado]. Quem não consegue dormir e está morrendo e sabe disso, e não consegue reagir... claro que, se ele tivesse saúde mental, estaria aqui hoje. Sua doença eram as drogas. O único que poderia mudar isso era o coronel, porque era como um deus para o Elvis. Mas ele entrava e saía bem depressa. Dava pra ver que era um problema de saúde e Joe Esposito fez o que pôde para falar com Elvis.
Eu cuidava do armário de remédios [de Elvis]. Tentávamos encher as cápsulas com açúcar, para ele pensar que era comprimido para dormir. Era como um jogo. Todo mundo fingia que Elvis não estava morrendo.
[Por um certo período], ele evitou as drogas e mudou muito. Eu achei ótimo. Mas, alguns dias depois, voltou a dormir o dia todo, sempre com raiva.
Não falávamos na gravidade do caso [dele]. Mas era grave.
No quarto ele perguntava: ‘Quem sou eu?’ Beliscava a si mesmo, não acreditava no que via. Ele não tinha feito nada; só sabia cantar. Ele tinha uma bela voz, um lindo sorriso, um bom coração e muito senso de humor. Mas era uma pessoa simples. Aquilo tudo era demais para ele.
Quando Joe me falou que Elvis estava morto, eu disse que isso não tinha me afetado. Todos sabíamos que ia acontecer. Ele respondeu: ‘Sim, mas é difícil acreditar’. Minha reação foi desligar a TV, o rádio, não ler os jornais, nem ir fazer compras. Eu dormia com a luz acesa, achando que ele ia me visitar... eu não sei... tenho medo de fantasmas... minha reação foi ignorar tudo. Não queria enfrentar aquilo.
Nem sequer fui ao enterro. Eu nada poderia fazer lá. Joe teria que cuidar de mim, e eu teria que ver Priscilla, Linda e todas as outras garotas, cada uma achando que era a única para ele. Eu não queria tomar parte nesse drama.
Gostaria que ele estivesse aqui... é muito difícil... perder alguém com quem tivemos intimidade. É difícil perder uma pessoa que amamos”.

Isto é um trecho de meu e-book "Conhecendo Elvis Por Quem o Conheceu", que você pode adquirir diretamente comigo aqui.








Comentários

  1. Uma pena, todos saberem dos problemas de Elvis e ninguém fazer nada para o ajudar! Obrigada pela leitura!

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  2. Acho que essa garota pegou a pior fase de Elvis...
    Quando ele estava terminando o segundo relacionamento sério e longo dele ,juntamente com todos os problemas de saude e dependencia quimica decorrentes de suas frustracoes amorosas...

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  3. Espetacular o seu blog. Pena que o livro em PDF não esteja mais disponível.

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