Esta entrevista com Vernon Presley (1916-1979), pai
de Elvis, foi realizada por Nancy Anderson - editora da Revista ' Good
Housekeeping' em janeiro de 1978.
"Em primeiro
lugar quero dizer que vai ser muito difícil contar essa história, agora que
Elvis se foi. Aqueles que perderam seus filhos e sofreram assim como eu estou
sofrendo, sabem muito bem o que estou dizendo. A morte de Elvis foi tão de
repente que vai ser preciso passar muito anos até que eu possa aceitar. Mas eu
tenho recebido muito carinho dos milhares de fãs que amavam e ainda amam Elvis.
Eles me têm manifestado muito carinho e simpatia. Sabem que não irão vê-lo
novamente, mas sempre vão valorizar e preservar a memória e o prazer que ele os
proporcionou.
Meu amor pelo meu
filho começou antes mesmo dele nascer em 08 de janeiro de 1935. Naquela época
não havia quase ninguém mais pobre do que minha esposa Gladys e eu. Mas ficamos
muito ansiosos e entusiasmados quando soubemos que iríamos ser pais. Eu tinha
apenas 18 anos, mas durante toda a gestação de Gladys nunca me ocorreu que eu
não seria capaz de cuidar dela e do bebê. O nascimento de Elvis foi demorado e
muito difícil para a minha esposa, e como as dores de seu trabalho de parto
continuavam muito fortes, eu entrei em desespero. Meus pais estavam em nossa
casa com a gente, junto com duas mulheres e uma parteira. Eles me disseram que
o caso era crítico, que era necessário chamar um médico. Depois de longas horas
nasceu um menino morto. Eu estava desolado com a perda de nosso filho. Mas,
então, meu pai colocou a mão na barriga da minha esposa e anunciou:
"Vernon, há um outro bebê aqui!"
Na época em que
Elvis nasceu, a medicina não era avançada o suficiente para um médico prever o
nascimento de gêmeos, por isso a sua chegada nos surpreendeu completamente.
Nossos meninos pareciam semelhantes, mas eu acho que eles não eram gêmeos
idênticos. Mesmo o mais velho estando morto, lhe demos o nome de Jesse em
homenagem ao meu pai, e para o mais novo lhe demos o nome de Elvis, em minha
homenagem, já que Elvis é o meu nome do meio. Nós escolhemos os nomes do meio
de Garon para Jesse e Aron para Elvis porque conhecíamos um casal cujo filhos
gêmeos tinham esses nomes.
Elvis me
perguntava ao longo dos anos, se sua vida teria sido diferente se seu irmão não
tivesse nascido morto. Cheguei à conclusão de que não teria sido, porque eu
acredito que a carreira de Elvis já estava traçada para o mundo desde aquele
momento. Porque durante a sua infância, certas coisas aconteciam que me
convenceram de que Deus tinha dado à mim e minha esposa uma criança muito
especial, por quem Ele tinha alguns planos muito especiais para a vida dele.
Gladys e eu
estávamos tão orgulhosos de Elvis e gostávamos tanto dele, que imediatamente
queríamos mais filhos. Mas, por razões, que nenhum médico podia explicar,
Gladys não engravidou mais. Enquanto isso, Elvis crescia e se tornava um menino
alegre. Nós oramos muito sobre o fato de minha mulher não ter mais filhos. Pois
não havia nenhuma razão por parte da medicina disso não acontecer. Mas ela não
engravidou.
Quando Elvis
tinha 10 anos de idade, a razão foi revelada de forma muito clara para mim de
uma maneira que eu não posso explicar. Só posso dizer que Deus falou ao meu
coração e me disse que Elvis era o único filho que nós teríamos e que era a
criança que precisávamos. Elvis foi um presente especial que iria preencher
nossas vidas completamente. Sem Jesse que nasceu morto, sem outras crianças que
esperávamos ter, entendemos que éramos um círculo familiar extraordinariamente
completo.
Eu nunca mais me
perguntei por que não tinha mais filhos. É difícil descrever o sentimento que
Elvis, sua mãe e eu tínhamos um pelo outro. Apesar de haver amigos e parentes
perto, incluindo os meus pais, nós três formamos nosso próprio mundo privado.
Elvis era um bom filho, que raramente nos deu problemas. Eu o repreendi algumas
vezes, mas agora eu acredito que foi por nada. Eu era um diácono da Igreja
Assembleia de Deus no leste de Tupelo e sempre levávamos Elvis à igreja conosco
todos os domingos. Mais tarde, depois que nos mudamos para Memphis, ele foi
batizado na Assembleia de Deus. Mas não pertenceu a nenhuma igreja e nem outra
religião por completo.
Elvis cresceu
muito próximo à sua mãe. Ele costumava chamá-la de "Baby". Ele também
era muito próximo a mim, tanto que tivemos um maravilhoso relacionamento
familiar bem equilibrado. Eu não o submeti a nenhuma escolha profissional e nem
o empurrei a nada. Alguns pais queriam que seus filhos fossem jogadores de
futebol ou advogados ou qualquer outra coisa. Eu só queria que Elvis fizesse
algo que o deixasse feliz.
Quando ele era
menino, eu o convidei para ir caçar comigo, mas ele me respondeu: ‘Papai, eu
não quero matar pássaros’. Então eu não tentei persuadi-lo a ir contra seus
sentimentos.
Um dia terrível
foi quando Elvis tinha seis anos de idade e estava com amidalite aguda, com
febre tão alta, que ele estava à beira de ter convulsões. Gladys e eu estávamos
com muito medo de perdê-lo, pois nosso médico admitiu que não tinha jeito. ‘Eu
não posso fazer mais nada’, disse-nos. ‘Talvez você devesse chamar outro
médico’. Isso foi o que nós havíamos feito. Então nós oramos para o maior
curador de tudo, Deus. Eu acredito em oração. Eu acredito em milagres, por isso
nesse dia eu orei a Deus para que Ele milagrosamente curasse nosso Elvis, que
era o melhor que tínhamos. Deus fez o milagre e atendeu nosso pedido, mais uma
vez reafirmando-me que a vida do nosso filho era especial.
Eu não quero
dizer que eu sabia que Elvis ia ser famoso, porque naquela época a ideia nunca
passou pela minha cabeça. Uma pessoa não tem que ser um cantor ou uma estrela
de cinema ou um presidente para preencher um papel importante no mundo. Ele
pode ser um motorista de caminhão ou um fazendeiro ou qualquer outra coisa e
cumprir sua missão. Eu só sabia que Elvis tinha uma missão a cumprir de um
jeito ou de outro, que o Senhor parecia ter as mãos sobre ele.
Um escritor de um
livro feio fez falsos comentários sobre Elvis na TV e disse que nós, os
Presley, não éramos nada, que éramos um
lixo branco e pobre. Bem, eu quero responder isso aqui, porque o seu comentário
irritou todo o estado do Mississipi. Nós éramos pobres, e eu nunca vou negar
isso. Mas lixo, nós não somos. Por uma questão de fato, eu não sei em que
sentido de "lixo" ele disse. Houve momentos em que não tínhamos nada
para comer, apenas pão de milho e água. Mas sempre tínhamos compaixão pelas
outras pessoas que estavam piores do que nós. Quando nós crescemos
financeiramente, nunca tivemos qualquer preconceito com os mais pobres. Nós
nunca rebaixamos ninguém E nem Elvis.
Quando Elvis
chegou à adolescência, mudamos para Memphis. Elvis pode ter odiado sair e
deixar seus amigos do Mississippi, mas se ele sentiu isso, não disse nada para
mim. Ele era um bom filho.
Gladys e eu
confiávamos nele tão completamente que íamos ao cinema e o deixávamos com os
amigos numa festa enquanto estávamos fora. Sei que havia algo para beber como
cerveja. Mas, para dizer a verdade, Elvis nunca foi de beber muito. Uma vez ele
bebeu conhaque de pêssego. Ele pegou uma garrafa e sabia muito bem que passara
dos limites. Mas ele nunca foi de beber demais.
Quando Elvis
estava na escola, continuamos a ser uma família muito próxima. Ele não passava
uma noite longe de casa até que completou 17 anos de idade.
No ensino médio,
Elvis conheceu uma garota chamada Dixie Locke e disse que estava apaixonado.
Gladys e eu pensamos que talvez eles iriam se casar, porque Dixie era uma
menina muito boa e simpática, e Elvis pensava muito nela. Mas o namoro não deu
certo.
O tempo foi
passando e Elvis foi ficando mais velho, e eu não tinha ideia do que Elvis
estava planejando fazer com seu futuro. Ele não estava muito certo do que
queria fazer. Lembro que logo depois que ele se formou no colegial, eu entrei
em seu quarto e o encontrei deitado em sua cama. ‘Filho’, eu lhe perguntei, ‘o
que você quer fazer agora? Você quer ir para a faculdade? Porque, se você
quiser, nós damos um jeito de lhe enviar. Você quer trabalhar? O que você quer
fazer?’ Elvis me disse mais tarde que essas perguntas o assustaram muito,
porque o trouxe para a realidade de que ele tinha que tomar uma decisão. Então
ele me disse: ‘Papai, eu quero ser um cantor. Quero cantar em um quarteto
gospel’. ‘Você faz o que quiser’, eu
disse, ‘e nós vamos ajudá-lo em tudo que pudermos’.
Foi em 1953 que
Elvis decidiu dar a sua mãe um disco de presente. Ele foi para a 'Sun Records' e gravou duas canções: ‘My Happiness’ e
‘That's When Your Heartaches Begin’.
Tinha um quarteto
gospel começando nessa época e um dos integrantes o chamou e Elvis fez o teste.
Mas eles não gostaram da voz dele. Disseram que ele não cantava bem. Mais
tarde, depois que ele gravou vários discos registrados na Sun e estava indo
muito bem, Elvis chegou para mim e disse: ‘Papai, você sabe o quarteto musical?
Eles querem que eu me junte a eles agora.
Minha resposta para isso foi: ‘Pro inferno o quarteto! Estou indo bem
com o que estou fazendo, e eu não quero mudar’.
Os discos de
Elvis tinham se transformado em sucessos regionais. Ele tinha um empresário,
Bob Neal, que tinha arranjado algumas turnês para ele em todo o sul. Quando
chegou de uma dessas viagens, ele disse ter conhecido um grande homem, que ele
era muito inteligente. Ele estava falando sobre o coronel Tom Parker. Elvis
parecia estar interessado no coronel como empresário. Gladys e eu avisamos a
ele que nós realmente não sabíamos nada sobre aquele homem e, de qualquer
maneira, ele tinha um acordo com Bob Neal.
No entanto, na
próxima vez que Elvis chegou em casa de uma viagem, ele nos disse que queria
que o coronel o empresariasse e que ele queria nos encontrar. Como Elvis ainda
era menor de idade, sua mãe e eu tivemos que assinar seus contratos, por isso
fomos para 'Little Rock', onde Elvis estava fazendo um show, para encontrar o
coronel. Isto foi em 1955. Ele parecia um homem inteligente, mas ainda não
sabíamos muito sobre ele, para assinar. Um pouco mais tarde, encontramos o
coronel novamente em Memphis e desta vez ele trouxe uma testemunha de caráter,
o cantor Hank Snow, eu acho. Elvis estava tão determinado a ir com o coronel,
que comprou seu contrato com Bob Neal.
O sucesso do meu
filho veio de repente. Seu sucesso 'Baby Let's Play House' estava entre as 10
músicas nas paradas nacionais do país. Então, mais tarde, em 1955, a RCA
comprou o contrato de Elvis na Sun Records e deu a Elvis um bônus. Ele começou
a fazer aparições com Tommy e Jimmy Dorsey, Milton Berle e assim por diante.
Mas foi sua aparição na TV no ''The Ed Sullivan Show', que atraiu mais atenção.
E depois ele já estava a caminho de Hollywood. Como a maioria das pessoas no
Mississippi e Tennessee, minha esposa e eu tínhamos ouvido histórias muito
estranhas sobre Hollywood. Mas quando Elvis foi convidado para ir lá fazer seu
primeiro filme, não ficamos preocupados, apenas orgulhosos e felizes, porque
ele estava começando a fazer o que ele queria.
Logo depois, quando uma verdadeira estrela, Natalie Wood,
veio a Memphis para visitar-nos, minha esposa a tratou tão naturalmente como se
ela fosse uma das amigas escolares de Elvis. Natalie era uma menina jovem na
época, apenas 16 anos, e uma garota muito legal, não era esnobe nem metida.
Elvis quase nunca
assistia seus filmes. Porque na verdade
ele não gostava da maioria dos filmes que ele fazia. Pagavam-lhe 1 milhão, ele
era muito bem pago pelo seu trabalho. Ele nunca teve controle e autoridade
sobre as canções que era obrigado a cantar nos filmes e sobre qualquer outra
coisa.
Um dia ele foi
convidado para contracenar com a atriz e cantora Barbra Streisand no filme 'A
Star Is Born'. Mas ele não fez o filme. Até hoje não sei por quê.
Recentemente,
Elvis tinha pensado em entrar numa produção, que ele pudesse estrelar num filme
que ele realmente gostasse. Ele tinha ido tão longe a ponto de começar a
trabalhar em um script.
Elvis aprendeu a
não dar muita atenção às críticas ou às mentiras que circulavam sobre ele. Ele
não estava nem preocupado com o livro que três de seus ex guarda-costas
escreveram recentemente. Ele apenas se machucou, surpreso de velhos amigos se
voltarem contra ele daquela forma. Os ataques brutais levantados contra ele por
algum tipo crítico o perturbava muito. Mas, durante seus 22 anos no centro das
atenções, ele aprendeu a não dar ouvidos. Elvis sempre dizia: ‘a verdade
prevalecerá’. Durante os últimos anos de sua vida, ele ouviu rumores de
que usava cocaína. Elvis usava medicação
de vários tipos, mas tudo prescrito por um médico. Por um tempo, ele tomou
pílulas para dieta, mas ele as abandonou há três anos, porque ele estava com
medo delas. Depois disso, quando ele queria perder peso, ele reduzia sua
alimentação. Na verdade, ele tinha jejuado para as últimas 24 horas de sua
vida.
Ele tomava
comprimidos para dormir, porque ele sentiu que precisava de 8 a 10 horas de
sono para um bom desempenho no palco. Não muito tempo antes de morrer, ele
havia feito um exame completo. Os médicos descobriram que ele tinha problemas
no fígado, cólon e um problema de pressão arterial elevada, o que me preocupava
mais do que o resto. Elvis tomava remédios prescritos para a pressão sanguínea
e pode ter tomado um analgésico ocasional.
Como era
basicamente uma pessoa da noite, ele não conseguia ir lá fora durante o dia, e
eu pensava que ele deveria, então eu costumava falar com ele sobre isso, e
dizia para ele tomar mais sol. Então ele fazia isso, sentava à beira da piscina
às vezes. Mas ele preferia ficar acordado até tarde da noite e dormir durante
todo o dia.
Tenho certeza que
ele não tomava drogas ilegais, drogas pesadas, por várias razões. Em primeiro
lugar, ele tinha visto o que as drogas tinham feito para as pessoas que ele
tinha conhecido e ele não queria acabar assim. Além disso, por causa de sua
filha Lisa, ele não teria tomado de tais drogas.
Por outro lado, a
história de que Elvis baleou a TV é verdade. Mas ele estava em sua própria
casa, e atirou no próprio aparelho de TV e, quando ele tinha feito isso, ele
poderia se dar ao luxo de comprar um novo. Aposto que não há uma pessoa que por
muitas vezes se sentiu tão frustrado olhando para algum programa de TV, que não
encontrava nada de que gostasse para assistir e sentiu vontade de jogar seu
sapato ou mesmo dar um tiro ou algo assim.
Elvis tinha
licença de porte de armas. Eu o via brincar, fingindo que ia atirar para
assustar alguém, mas ele não era louco ao ponto de fazer isso. O motivo de
Elvis trazer consigo um arma, foi exatamente para prevenir algum perigo que ele
muitas vezes teve que passar. O mais assustador foi no início de sua carreira,
em Jacksonville, Flórida. Ele tinha se apresentado em um caminhão e, quando ele
tentou chegar ao seu trailer-camarim, a multidão simplesmente veio em cima
dele. Fãs invadiram seu trailer e foi tão difícil que ele tentou voltar para o
palco. Mas, de novo, a multidão veio pra cima dele, rasgando-o até que ele
ficou sem nada, exceto com suas calças. Ele estava cheio de sangue, arranhões
em seus braços, sua camisa tinha sido puxada. Eu nunca tinha visto nada como
aquilo antes. Eu pensei que Elvis ia morrer. A multidão de fãs era enorme, como
uma multidão de linchadores.
Elvis, então teve
o seu pior susto alguns anos mais tarde, no Las Vegas Hilton. Recebemos um
telefonema de Los Angeles dizendo que um homem estava a caminho para matá-lo no
palco. O interlocutor disse que se dessem a ele US $ 50.000 nos contaria quem
era o homem e como interceptá-lo. O FBI levou a ameaça muito a sério. Eu fiquei
assustado, por isso pedi aos agentes para dizer ao interlocutor que iríamos
pagar. Mas de alguma forma o contato se rompeu, e na noite de estreia de Elvis,
nós pensamos que um assassino poderia realmente estar na plateia. O hotel pediu
a Elvis para não ir, e eu também. Não há como negar que ele estava com medo,
mas ele insistiu em fazer o show, e o resto do trabalho. E, como você sabe,
nada aconteceu.
Recebíamos
ameaças de sequestro de vez em quando, mas não nos preocupava muito, pois
achávamos que um sequestrador não teria a incompetência de avisar a sua vítima
o que ele estava planejando fazer.
Muito tem sido
escrito sobre romances de Elvis. Naturalmente, eu não sei tudo o que se passou
entre Elvis e as várias meninas que passaram em sua vida. Eu dava conselhos
quando ele pedia. Eu sempre estava lá quando ele precisava de mim. Mas eu não
me intrometia. No entanto, eu sei que ele era um homem que gostava de mulheres
e que sempre precisava de uma especial com quem ele pudesse compartilhar
coisas. Eu acho que ele era como a maioria das pessoas - precisava amar e ser amado.
Ele namorou
muitas meninas em Los Angeles, Memphis e em outros lugares e levou a sério
várias delas. Em um período, parecia que ele e Anita Wood iam se casar, porque
quando duas pessoas namoram por seis anos, você suspeita que eles têm algo
sério em mente. E ele também gostava da Barbara Heam, uma menina muito bonita
também.
Sua mãe e eu não
influenciávamos nas escolhas das namoradas de Elvis, assim como não o
influenciamos em sua escolha de carreira. Nós não nos importávamos com quem ele
se casasse, apenas que ele fosse feliz.
Gladys faleceu
antes do exército enviar Elvis para a Alemanha, onde conheceu Priscilla
Beaulieu. Eu me casei novamente quando meu filho convidou Priscilla para vir a
Memphis para terminar o ensino médio, por isso ela ficou comigo e com minha
segunda esposa Dee. Sendo filha de um oficial da Força Aérea, Priscilla tinha
sido educada para ser disciplinada e de forte personalidade, mas ela também era
uma menina amorosa. Eu acredito que o casamento de Elvis com ela não deu certo,
porque ele percebeu que após o casamento, ele realmente não queria se casar.
Quando ele estava viajando, não era fácil para Priscilla ir junto e ficar o
tempo todo com ele, especialmente depois que Lisa nasceu. Essas separações
colocaram uma pressão sobre o seu relacionamento. Quero enfatizar que, embora o
casamento tenha acabado, Elvis era louco por sua menina Lisa e ela adorava o
pai. Quando Lisa não estava na escola e ele não estava na estrada e estava em
Memphis, eles brincavam juntos em sua casa (Graceland) por horas.
Um monte de
pessoas têm perguntado sobre as meninas que compartilharam os anos finais da
vida de Elvis. De todas elas, acho que Linda Thompson foi a melhor para ele.
Ela estava sempre com ele, cuidando dele, embora eu não saiba o motivo deles se
separarem. Pode ter sido que uma das razões era que Elvis sentiu que seu amor
estava começando a sufocá-lo.
Sheila Ryan era
outra menina. Eu não sei por que ela deixou de ver Elvis e começou a sair com
outro; eu fiquei surpreso quando ela se casou com outra pessoa.
Nunca cheguei a saber muito bem sobre Ginger Alden. Ela não
era de falar muito, mas algum tempo atrás Elvis me disse que tinha se
apaixonado por ela. ‘Este é o amor que eu estive procurando’, disse ele. ‘Eu
quero mais filhos. Eu quero Ginger para ser a mãe dos meus filhos’. Depois
disso, Ginger e Elvis vieram me mostrar o anel de noivado. Essa foi uma das
poucas vezes que eu o vi sorrindo. Presumi que eles iam se casar, mas não
aconteceu nada e sempre que eu tentava falar com Elvis sobre Ginger, ele
parecia chateado. Finalmente, apenas um
ou dois dias antes dele morrer, eu lhe disse: ‘Eu continuo ouvindo e lendo que
você vai anunciar seu noivado. Está certo? Quando você vai se casar?’ ‘Só Deus
sabe’, disse Elvis. Eu tenho um sentimento. Eu acho que talvez ele estivesse
mudando de ideia sobre o casamento.
Sobre o fato de
que nem Priscilla nem Ginger foram mencionadas no testamento de Elvis, quero
salientar que Ginger já tinha obtido a sua quota de presentes de Elvis. Quanto
a Priscila, ela não esperava ser mencionada, porque Elvis tinha feito a sua negociação
com ela quando eles se divorciaram.
Estórias têm
deturpado os detalhes da vida privada de Elvis em todos os sentidos possíveis.
Qualquer que fosse a sua vida privada ou pudesse ter sido, nenhum de seus
funcionários, amigos ou colegas, ficaram sem qualquer coisa que queriam ou
precisassem - seja Cadillacs ou anéis de diamantes e peles para suas esposas.
Elvis presenteava generosamente porque era de sua natureza ser generoso. Ele
queria dividir sua fortuna com todo mundo que estava perto dele. Me lembro
quando eu senti que ele estava transportando uma tripulação muito grande, então
eu o aconselhei: ‘Você não precisa de todos eles, especialmente alguns que
apenas parecem ser o que eles querem’. Elvis me parou, frio, respondendo: ‘Você
vê os seus desejos. Eu olho além de suas necessidades e posso ver as suas
necessidades’.
Embora Elvis
nunca se escondeu como erroneamente relatado, ele gostava de privacidade, assim
como todos nós, de modo que ele gastava seu tempo em seu quarto, lendo ou
conversando com um ou dois bons amigos. Passei alguns dos momentos mais felizes
da minha vida sentado e conversando com Elvis.
Poucos dias antes
de Elvis morrer, nós conversamos em Graceland por cinco ou seis horas sobre
todos os tipos de coisas até que eu finalmente disse: ‘Filho, eu tenho que ir
para casa e comer alguma coisa’. ‘Eu sei, papai’, Elvis me disse. ‘Mas eu quero
que você saiba que eu realmente gostei disso’.
Há tantas
perguntas não respondidas sobre a morte de Elvis para as quais tenho de
encontrar respostas. Quanto tempo ele ficou deitado no chão antes que seu corpo
fosse encontrado? Por que não havia alguém em Graceland perguntando onde ele
estava e se estava tudo certo? Essas são duas das perguntas que eu não encontro
respostas.
Eu sei que ele
não tinha conseguido dormir na noite antes de morrer e tinha jogado raquette
até às quatro ou cinco horas da manhã. Então o que aconteceu? Eu quero saber!
Joe Esposito, um
dos amigos e tripulantes de Elvis, estava comigo no escritório, quando ele
recebeu um telefonema de casa e me disse que tinha que ir até lá imediatamente.
Eu continuei com o trabalho até que o telefone tocou de novo e Patsy, nossa
secretária, atendeu. ‘É Joe’, disse ela. ‘Ele está estranho’. Peguei o telefone
e Joe me disse: ‘Sr. Presley, venha rápido. Elvis não está respirando’. Eu não
estava me sentindo bem durante algum tempo e naquele momento Patsy teve que me
ajudar a ir à casa. Assim que eu vi Elvis, soube imediatamente que ele havia
partido.
As coisas que
aconteceram depois são difíceis de colocar em perspectiva. Algumas eram tão
inacreditáveis e eu estava tão triste que mal conseguia entender o que estava
acontecendo. Por exemplo, eu não prestei atenção na segurança. Eu nunca pensei
que um dos primos do próprio Elvis iria tirar uma foto dele em seu caixão e
vendê-lo para um jornal sensacionalista. Nem quando eu conheci Caroline
Kennedy, que eu acho que veio para o funeral para fazer uma reportagem. Na
verdade, quando fomos apresentados, eu não sabia quem ela era. Eu estava com
minha mãe e irmã quando Priscilla entrou com alguém que ela apresentou como
Caroline Kennedy. Eu não identifiquei a filha de Kennedy, até que ela foi
embora. Então eu ouvi alguém dizer: ‘Essa era filha do presidente Kennedy’, e
eu pensei: ‘Ela vai pensar que eu sou louco por não saber quem ela é’. Então eu
saí e encontrei-a e disse-lhe que tivemos a honra de tê-la ali e que era
bem-vinda em Graceland. Mais tarde, Priscila me disse que Caroline queria ver o
quarto de troféu de Elvis. Eu disse que eu não poderia mostrar a ela agora, mas
que se ela ficasse até o dia depois do funeral, eu faria isso. Tanto quanto eu
sei, Caroline não ficou.
Eu estava
atordoado com o choque, eu não tinha como reconhecer algumas pessoas no
funeral. Ann-Margret e eu nos abraçamos e choramos juntos, mas eu nem sequer vi
seu marido, Roger Smith, que estava por perto.
Durante os 22
anos de carreira de Elvis, o Coronel Parker cuidava de toda parte dos shows
business de sua carreira, enquanto eu lidava com os 'assuntos pessoais’ de
Elvis. Agora que ele se foi, vou continuar cuidando de seus negócios até que
tudo esteja muito bem resolvido. "Eu posso mudar para Graceland agora
porque minha mãe e irmã viveram ali muitos anos e precisam de alguém com elas.
Além disso, pode ser mais fácil para mim, lidar com negócios inacabados de Elvis em
Graceland do que da minha casa atual.
Recebemos a
permissão da cidade de Memphis para mover o corpo de Elvis para Graceland, onde
a segurança é mais fácil de ser mantida. Eu também trouxe a mãe dele. Se
possível, também o irmão de Elvis, Jesse, que está em Mississippi, para ficar
ao lado deles. Elvis às vezes falava em trazer o corpo de seu irmão gêmeo para
Memphis e eu posso ir em frente com seu plano.
Volto a dizer o
que eu disse no início desta história: estou de coração partido mais do que eu
posso expressar sobre a morte de Elvis, mas eu estou confortado pelo
reconhecimento e tenho certeza de que meu filho foi um presente de Deus e que
sua vida foi sempre guiada pelas mãos D'ele. Eu teria desejado que ele vivesse
para sempre, mas sei que sua morte prematura, como tudo em sua vida, era uma
parte do plano de Deus.
Eu agradeço a
Deus, que me abençoou com um filho”.
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