Entrevista Com Anita Wood





Anita Wood (1937-2023), atriz, teve um romance com Elvis em meados da década de 1950 e início da de 1960. Ela conta um pouco desse período nesta entrevista, datada de 26 de agosto de 2001.



Esta é a primeira vez que fala sobre o tempo que passou com Elvis?
Na realidade não dou mesmo entrevistas, porque às vezes fico muito triste ao pensar na morte trágica de Elvis. Ele deveria estar ainda aqui conosco, e isso me perturba. Por isso me limitei a ficar em casa, no Mississippi, com o meu marido, os meus três filhos e os meus seis netos.

Fale-me sobre o seu primeiro encontro com Elvis.
Fui,  num sábado,  ao programa “Dance Party” do Wink Martindale para adolescentes, onde o George Klein trabalhava. Antes de o conhecer, eu não era fã de Elvis. O  Lamar Fike me ligou e disse que o Elvis gostaria de me conhecer. Respondi que já tinha um compromisso para aquela noite e não podia desapontar o meu acompanhante. Argumentei que Elvis não iria gostar se o caso fosse com ele e que eu lamentava muito. Algumas semanas depois o Lamar voltou a telefonar e disse que Elvis queria marcar um encontro e se eu estava livre naquela noite. Nesse tempo eu morava com uma senhora chamada Miss Patty, que se tornou como uma mãe para mim. Ela disse ao Lamar para pedir a Elvis que me viesse buscar em casa e combinamos um horário. Quando ele chegou no seu Cadillac, ele mesmo vinha dirigindo. Mandou o George Klein até à porta, o que foi um grande erro, pois a Miss Patty disse-lhe que lamentava muito, mas Elvis teria de vir ele mesmo até à porta se é que queria um encontro. Fui até o Cadillac, onde estava o Lamar e alguns outros rapazes. Limitamo-nos a andar de carro, a rir e a conversar e a nos divertir. Elvis ficou com fome e paramos para comprar uns hambúrgueres. Fomos até  Graceland, onde  lembro ter visto um monte de ursos de pelúcia, na sala-de-estar. De repente, Elvis disse: “Quero te mostrar o meu quarto”,  e subimos ao andar de cima. Ele começou a beijar-me. Bom, este era o nosso primeiro encontro e as mãos dele começaram a mover-se para locais onde eu achava que não deveriam estar, por isso falei: “Acho que agora quero ir pra casa”. Ele foi muito simpático, voltamos a descer e ele me levou para casa.

E no segundo encontro?
O segundo encontro se deu duas noites depois e voltamos a ir para Graceland.  Elvis tinha então ainda um velho caminhão e entramos nele e ele levou-me até Lauderdale Courts para me mostrar onde havia morado. Levou-me a passear por toda a Memphis e nunca ninguém nos incomodou,  porque realmente ninguém imaginaria Elvis naquele caminhão velho. Voltamos para a casa dele, assistimos TV, comemos e nos divertimos, depois Elvis levou-me para casa.

Quanto tempo durou até vocês se darem conta de que estavam apaixonados um pelo outro?
Bem, na realidade nunca cheguei a ter um namoro sério porque os meus pais eram muito rígidos. Não tinha permissão para sair com rapazes. Quando, aos 19 anos, conheci Elvis,  ele foi de fato o meu primeiro namorado. Sempre disse que Elvis foi o meu primeiro amor, mas Johnny é o meu verdadeiro amor. Nos dois meses seguintes Elvis e eu vimo-nos muitas vezes. Num desses encontros, ele levou-me à [sua] casa e, enquanto estávamos no alpendre, ele disse: “Little, acho que estou me apaixonando por você”. Foi amoroso, carinhoso e me fez rir.

Que recordações você guarda da época em que Elvis foi para o Exército?
Quando Elvis foi convocado para o Exército eu tive de ir para Nova York durante 13 semanas para trabalhar no programa de variedades de Andy Williams. Mas, antes disto, Elvis levou-me até Killeen, no Texas, onde estava posicionado. Nessa altura a mãe dele não andava bem de saúde e eu gostava muito dela. Ela e eu costumávamos falar com muita frequência sobre quando Elvis e eu nos casássemos e tivéssemos nosso primeiro filho, e como isso a faria muito feliz. No entanto ela acabou ficando muito doente, e, certa manhã, ele ligou e me comunicou que ela tinha morrido. Fui de carro até Graceland e lá estavam o Sr. Presley e Elvis sentados no alpendre, ambos muito tristes. Não pude ajudar muito, porque então  eu ainda não sabia o que era perder um pai ou uma mãe. Quando, mais tarde, perdi o meu pai, disse a Elvis que agora sabia como ele tinha se sentido quando perdeu a mãe. Depois disso passei algum tempo com Elvis na base de Fort Hood com a sua família. Elvis estava moreno e com um aspecto maravilhoso. Estava com um aspecto incrível, não tinha o cabelo pintado  e um pouco curto. Ia até lá e era como um encontro normal, mas os rapazes tinham de estar conosco o tempo todo, mas eu gostava deles. Íamos até Waco visitar alguns amigos e divertir-nos um pouco.

Como foi pra você quando Elvis partiu para a Alemanha?
Não foi mesmo nada bom, pois a sra. Presley já não estava aqui e havia muitas mulheres e namoradas à volta dele. E eu me sentia apreensiva.

Lembra-se da última coisa que Elvis lhe disse antes de  ir embora?
Se me lembro do que ele me disse?  Sim, lembro; ele disse: “Amo-te, Little”.

É verdade que Elvis lhe comprou um Ford 1957 e lhe deu um anel de diamantes antes de ir embora?
Ele deu-me muitas coisas, mas nunca lhe pedi nada, pois o amava.  O anel foi a primeira coisa que ele me deu e agora está em poder  da minha filha, que o usa até hoje. Dei o carro ao meu irmão quando me casei e dei alguns brinquedos e joias que Elvis me dera às minhas damas de honra. Calculei que o meu marido não iria gostar de me ver com tais objetos em nossa  -  prendas que tinha recebido de outro homem. Por isso dei tudo, receosa de sua reação, exceto o anel.

Você tem fotos de Elvis que ainda não tenhamos visto?
Sabe?  Tenho uma de Elvis quando ele veio até à casa da Miss Patty. Estávamos os dois parados conversando lá fora quando a foto foi tirada. Tenho algumas outras, mas ele não queria que os jornais soubessem como o nosso relacionamento era sério, por isso nunca tiramos muitas fotos.

Com toda a sinceridade, porque motivo vocês não casaram?
Elvis disse-me que o coronel Parker falara que não, porque se ele casasse, ficasse noivo ou coisa assim, com o tipo de carreira que tinha, poderia prejudicar sua publicidade.

Como você ficou sabendo sobre Priscilla?
Eu estava com Elvis quando ele estava fazendo um filme em 1962 e, uma vez,  quando ele estava no estúdio, eu fiquei em casa. Estava no quarto dele à procura de uns livros na biblioteca e dentro de um deles havia uma carta. Abri a carta;  era de Priscilla. Devo dizer que  fiquei furiosa, porque ele nunca me tinha contado sobre outras mulheres. Quando o interroguei sobre a carta, ele ficou aborrecido e disse que era apenas mais uma carta de amor de uma fã qualquer. Tivemos uma grande discussão: ele agarrou-me e me atirou de encontro a um armário.

Obviamente as coisas devem ter ficado difíceis a partir de então. Como é que finalmente acabou?
Uma tarde ele e eu estávamos sentados na cozinha; acho que ele estava com o Alan Fortas e eu vinha descendo as escadas. De repente ouvi Elvis dizer: “Estou com grande dificuldade em me decidir por uma das duas.” Aquilo me magoou.  Entrei na cozinha e disse somente isto: “Bem, então eu decidirei por você”; e fui embora. Não ia continuar ali naquela situação. Elvis veio atrás de mim e disse:  “Rezo a Deus para que estejas tomando a decisão correta”. Respondi que não tinha qualquer importância e já não fazia diferença nenhuma. Elvis ficou aborrecido e o pai dele começou a chorar. Elvis não parava de tentar pôr dinheiro em minha bolsa e eu nem sabia o que fazer. Foi muito difícil, mas nunca mais voltei.

Alguma vez chegou a ver Elvis em Las Vegas, durante os anos 1970?
Uma vez fui a Las Vegas com uma amiga e dei de cara com o Joe Esposito, o George Klein e o Lamar, que disseram: “O Elvis vai fazer um show esta noite. Se quiser vir, reservo um lugar pra você, lá na frente.” Conversei com o Johnny sobre isso, e ele respondeu não ver problema algum em eu assistir o show. Então tomei assento num lugar, ao pé do palco, e, quando o Elvis entrou, estava maravilhoso. Ele me viu,  e muitas das músicas que cantou, o fez olhando para mim. Ao término do show, o Charlie Hodge veio ter comigo e disse-me que Elvis gostaria de me ver nos bastidores. Fui vê-lo e abraçamo-nos durante muito tempo até que ele me disse: “Little, pensei muitas vezes se não cometemos um erro”. Respondi: “Não, Elvis, não cometemos erro nenhum. Tu não terias a Lisa e eu não teria os meus filhos e o meu marido.” Foi a  última vez que o vi, mas voltei a falar com ele mais tarde quando o meu pai morreu, como já lhe disse antes. Quis dizer-lhe que sabia como ele se sentira quando sua mãe morrera,  mas naquela altura a sua voz pareceu-me tão lenta e profunda.

Qual sua recordação mais preciosa de Elvis?
Tenho muitas boas recordações, mas o momento em que ele me deu o anel, na Califórnia,  foi um momento especial. Ele fez isso na parte externa do hotel, e foi realmente um momento tão doce que fiquei deslumbrada.

Resumindo, que tal um pensamento final?
Fico impressionada com o amor que todos vocês têm por ele e como seria bom se ele pudesse estar aqui agora. Estaria a rir  conosco, pois ele de fato tinha um ótimo senso de humor.


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