Sam Phillips (1923-2003), produtor musical, ficou
conhecido como o “descobridor” de Elvis, tendo investido na carreira dele bem no início dela. Neste depoimento, Sam recorda alguns detalhes daquela época.
“Nunca tentei juntar negros e brancos. Estava tentando encontrar um homem com ambos – [ou seja, um branco que cantasse como negro].
Mary Ann disse:
‘Este é Elvis Presley; ele quer fazer uma gravação para a mãe dele. Ele era um
jovem inocente, decente, de boa aparência. Havia algo nele que me tocou
profundamente a alma; não me pergunte o quê porque eu não sei. Mesmo assim
gravamos e, quando ouvi pela primeira vez, percebi que aquele garoto era um
gênio e eu falei: ‘Aqui temos uma voz não lapidada, mas que pode ser
trabalhada’. Disse que iríamos a Nashville e se eu encontrasse músicas que ele
pudesse cantar, eu entraria em contato com ele.
Perguntei se ele
tinha uma banda e ele respondeu que nunca tinha cantado, nem tinha uma banda.
Eu sabia que o Scotty Moore era paciente, embora Bill Black não fosse tanto.
Mas o Bill era um bom baixista, então poderíamos usá-lo na bateria e no
contrabaixo. Colocamos os dois juntos para tocar uma canção.
‘Vender’ Elvis
foi uma das mais difíceis decisões que tive que tomar, porque primeiro: não havia
dúvida de que ele seria grande, mas o problema é que eu precisava de dinheiro.
Elvis Presley
foi, seguramente, uma das pessoas mais impressionantes que tive o prazer de
conhecer em minha vida. Depois de ouvir a sua voz, de ver seu comportamento e
seu jeito de ser (o que achei ser um estilo bem diferente), fiquei bastante
impressionado com o que achei que ele podia fazer como artista. E,
independentemente do que aconteceu a Elvis em seus últimos anos de vida, ele
tinha uma das almas e um dos espíritos mais fortes do que os de qualquer outra
pessoa que eu tenha visto.
Bem, todos me
dizem: ‘Você teve algo a ver com o fato desse homem ter surgido no cenário [do
sucesso]...’ E, sim, é mesmo verdade que tive. Mas o que deve ser lembrado, é
que tudo o que fizemos na Sun Records com Elvis Presley, terminou com Elvis
sendo o grande catalisador de tudo o que fizemos na Sun. Esse homem tinha a
força e o valor dentro dele para insistir e continuar insistindo até
alcançarmos a meta (e como alcançamos!). Isso pra mim não tem mistério, que ele
tenha se tornado no maior artista da indústria do entretenimento. Sei que havia
algo singular dentro dele. Pois, quando temos todas as coisas que já se
disseram sobre Elvis Presley – coisas boas, más, indiferentes -, é porque houve
algo de seu íntimo que ele deixou no caminho que percorreu. Porque, de outra
forma, ele não seria capaz de se sobressair a praticamente toda a gente que
conheci no ramo do entretenimento. E não sou tendencioso em falar assim. E ele
conseguiu, ano após ano, ano após ano... até atingir uma escala mundial! Tente
outro fazer o que ele fez!
Ele teve um apoio
ali na Sun Records que sinto mesmo que lhe deu aquele impulso de entrar e
sentir confiança em si próprio, naquilo que queria fazer e até mesmo dizer. Com
toda a sua educação, ele dizia às pessoas que aquela era a sua sessão de
gravação, quando foi para a RCA. Isso teve muito a ver com aquilo que Elvis se
tornou.
Eu só desejava
que todos pudessem ter conhecido Elvis Presley, tal como eu o conheci”.
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