Entrevista Com Ginger Alden




Ginger Alden (1956-) foi a última namorada de Elvis. Foi ela quem primeiro encontrou Elvis caído na suíte dele em Graceland. Nesta entrevista (data incerta), ela conta um pouco sobre seu relacionamento com ele.

Como foi sua primeira visita a Graceland e como se encontrou com Elvis?
Me encontrei com Elvis pela primeira vez quando eu tinha cinco anos de idade. Mas, pulando um pouco, para a noite de 19 de novembro de 1976, George Klein telefonou para minha irmã Terry, então Miss Tennessee, perguntando se ela gostaria de se encontrar com Elvis. Ela tinha namorado na época, mas pensou que seria ótimo conhecer Graceland e conhecer Elvis; então disse que sim, mas sentiu-se constrangida em ir sozinha. Então minha outra irmã Rosemary sugeriu que ela e eu fôssemos juntas. Chegando a Graceland, fomos escoltadas escada acima e entramos no quarto de sua filha Lisa. Sei que isso soa engraçado, mas quando Elvis entrou no quarto, eu pensei que as trombetas iriam soar. Ele parecia tão gentil. Rapidamente sentou-se numa cadeira e começou a falar com cada uma de nós. Foi maravilhoso, pois nos levou depois para conhecer melhor a mansão, cantou para nós e leu em voz alta alguns trechos de seus livros sobre religião.

Ginger, depois de poucos dias de tê-la encontrado, Elvis parecia estar em constante bom humor, especialmente no palco. Um dos melhores shows ao vivo de Elvis, definitivamente foi o do ano novo em 31 de dezembro de 1976 em Pittsburgh. Por favor, descreva suas recordações daquela noite.
Fui a quase todos os shows de Elvis após conhecê-lo, e acho que sua voz estava na melhor forma durante os últimos anos de sua vida. Era sempre ótimo vê-lo em seu auge atuando e se divertindo, como no show em Pittsburgh. Alguns shows eram melhores que outros, por problemas técnicos ou por ele apenas estar cansado. Sei que Elvis sempre tentava dar 100% para seus fãs. Ele ficava sempre muito feliz quando Lisa podia ir aos seus shows. Eu sempre me sentava numa cadeira próxima do palco e, durante aquele show em particular, lembro-me de levantar Lisa para que ela pudesse ter uma visão melhor do show de seu pai.

Elvis lhe fez a proposta de casamento no dia 26 de janeiro de 1977, em Graceland. Você pode compartilhar as lembranças do que aconteceu naquele dia?
Quando o dia 26 de janeiro chegou, eu me sentia como se conhecesse Elvis por muito mais tempo do que uns poucos meses. Nosso relacionamento tinha sido muito intenso, como se ele quisesse que eu soubesse quase tudo sobre ele num curto período de tempo. Eu sabia que tinha me apaixonado e não conseguia me imaginar sem a companhia dele. Seu primo Billy me contara como Elvis voltava das corridas de motocicletas, caía na cama e dizia: “Tem que existir alguém lá fora para mim”. Nós tínhamos estado juntos por um breve período, mas eu sentia que tinha encontrado minha alma gêmea. Havia um bocado de atividade acontecendo naquele dia em Graceland e tinha a ver comigo, recebendo minha aliança de noivado. Elvis me chamou e me disse muitas coisas bonitas, terminando sua proposta com: “Eu nunca imaginei que encontrasse [minha alma gêmea] em minha própria casa. Estou lhe pedindo: quer se casar comigo?”. Fiquei muito feliz quando ele me presenteou com uma caixa de veludo verde, abriu-a e colocou um anel de diamante muito grande e belo no meu dedo. Minha mão estava tremendo quando nos beijamos e saímos do banheiro para seu quarto. Minha mão ainda estava trêmula quando ele a levantou e olhou para o anel dizendo: “oh, querida...”. Recebemos os parabéns de seus irmãos adotivos e de Charlie Hogde, que nos deu um joguinho de gamão como presente de última hora.

Você ainda tem seu anel de noivado Ginger?
Sim, tenho.

Você pode contar um pouco mais sobre a viagem ao Havaí em março de 1977? As fotografias mostram Elvis de excelente humor, jogando futebol, relaxando na praia e se divertindo em geral. Vocês estavam todos lá, não?
Meus momentos com Elvis foram muito especiais e as férias no Havaí foram muito divertidas. Elvis sabia que eu nunca estivera no Havaí e quis levar minha família inteira. Partimos no aniversário de minha irmã Terry, em 3 de março. Ele estava com uma ótima disposição. Minhas irmãs e eu ficamos com Elvis no fundo do “Lisa Marie” durante o voo, enquanto ele brincava, ria e cantava. A viagem foi muito bonita, mas infelizmente encurtada quando Elvis irritou um de seus olhos e tivemos que retornar a Memphis. Eu fiquei em Graceland e apliquei [nele] creme ocular por alguns dias, e pude ajudá-lo a ficar preparado para sua próxima turnê. Senti que ele se divertiu de verdade nessa viagem e foi  muito maravilhoso vê-lo relaxar, sair para um shopping center e cantar. Nunca esqueci a emoção daquelas férias.

Além das férias no Havaí, poderia me contar sobre quaisquer outras viagens que fez com Elvis? Por exemplo, o funeral de seu avô em janeiro de 1977.
Quando meu avô faleceu, Elvis ficou muito consternado e foi realmente maravilhoso. Obviamente, eu quis ir ao funeral de meu avô, mas não queria deixar Elvis. Ele foi muito doce ao perguntar se podia me acompanhar ao funeral, e eu respondi que sim. Ele transportou minha família de avião para Harrison, Arkansas, onde guiamos por vinte milhas até Jasper, para os serviços que se realizavam num pequena igreja. Deixamos Jasper e voamos de volta a Memphis.

Quais foram alguns dos assuntos dos quais você recorda Elvis ter conversado em sua presença, seja em Graceland ou em qualquer outro lugar? Ele falava sobre seu passado, sua mãe, sobre sua vida em Memphis ou Tupelo?
Elvis adorava seus pais e falou comigo sobre sua mãe em diferentes ocasiões. Sei que ele realmente sentia a falta dela, enormemente. Ele queria me mostrar onde tinha nascido e diferentes lugares do seu passado, e então nós com frequência saíamos na sua moto para rodar a Memphis e Tupelo.

Elvis com frequência passava diversos dias seguidos recluso em seu quarto. Ele chegou a explicar-lhe por que fazia isso?
Quando eu ia a Graceland, nós ficávamos bastante [tempo] no andar superior da mansão. Atribuo à razão de sempre parecer haver muitas pessoas no térreo. Ele sempre me perguntava quem estava lá em baixo - costumeiramente um dos empregados com suas namoradas ou amigos - e ele então dizia que não queria descer. Após uma turnê, se ele estivesse de pijamas ou com a barba por fazer, não se sentia confortável descendo ao térreo, onde alguém poderia estar por lá sem ele saber.

Elvis chegou a comentar com você sobre o livro de Red e Sonny West, “Elvis, What Happened?”, que seria lançado em breve. Existe um rumor de que ele teria lido um transcrito da pré-publicação.
Fiquei espantada e entristecida ao longo dos anos pelos numerosos artigos e livros escritos por alguns que mudaram de ideia, não só sobre ele como de si próprios também. Tantas mentiras. Nunca soube de Elvis lendo um transcrito da pré-publicação, mas alguém em seu grupo lhe informou. Ele estava magoado e furioso por terem lhe virado as costas e feito algo assim.

Quais são os verdadeiros fatos por trás da perseguição de sua mãe ao Espólio Presley por uma piscina, após a morte de Elvis?
Eis os fatos a respeito do processo de minha mãe: Elvis me falara que gostaria que minha família ficasse mais perto de Graceland e não tivesse que dirigir para tão longe. Elvis se preocupava muito com os meus pais, pois soubera que tiveram problemas conjugais no passado. Ele até conversou com eles sobre seus problemas, mas uma separação e divórcio pareciam ser a única resposta naquela época. Quando ele muito generosamente ofereceu-se para comprar uma nova casa para minha mãe, ele agiu como se não fosse nada fora do comum fazer isso. Enquanto estávamos em turnê, ele com frequência tocava no assunto da procura da casa e me perguntava se minha mãe estava procurando por uma. Eu respondia “não” porque sabia que ela não se sentiria confortável indo morar sozinha e, desde que este presente era tão generoso, ela não sabia que tipo de casa devia procurar. Mas Elvis estava disposto a comprar a casa, chegando ao ponto de ele mesmo ir atrás de algumas, mas ele não ficou satisfeito com as casas que viu, pois comentava constantemente não haver lugar para uma piscina [em nenhuma dessas casas] ou que a casa [que ele queria comprar] precisava de uma piscina. Finalmente falei com minha mãe e compreendi que ela estava contente com a casa em que já estávamos morando. Contei isso a Elvis e ele imediatamente ligou para minha mãe, dizendo que queria pagar-lhe uma casa e que ela não teria o aborrecimento de uma hipoteca sobre sua cabeça na velhice. Ele estava deveras empolgado enquanto lhe pedia para trazer seu carnê de pagamentos e papéis relevantes para Graceland. No dia seguinte, minha mãe chegou em Graceland, gentilmente agradeceu a Elvis e entregou todos os papéis necessários ao pai dele. Vernon lhe falou que estava tratando os detalhes com seu advogado, o qual se encarregaria de tudo. Naquele momento, Elvis se adiantou e informou à minha mãe que, não só gostaria de pagar por sua casa, como também gostaria de ter [na casa] um pequeno jardim e uma piscina instalada. Mais uma vez minha mãe disse a Elvis o quanto apreciava sua generosidade. Elvis prosseguiu com seus planos. Duas grandes árvores foram colocadas na parte frontal, e um contrato foi feito para instalar a piscina. Elvis foi para nossa casa, de ótimo humor, em 6 de agosto de 1977. Ele olhou as árvores e falou, mais uma vez, que agora precisávamos de uma piscina. Dez dias depois, Elvis faleceu e minha mãe saiu de seu trabalho para ficar em casa comigo naquela hora tão triste e difícil. A piscina foi instalada pouco depois. Minha mãe logo recebeu uma carta da companhia hipotecária, informando-lhe estar três meses atrasada nos pagamentos da casa. Desnecessário dizer, ela ficou absolutamente chocada. Falei para minha mãe ligar para o advogado do espólio, que tinha toda a documentação, o que ela fez. O advogado enviou uma carta para minha mãe (que ainda está em seu poder), em que afirma claramente:  “Estivesse Elvis vivo, não haveria problema em proceder com o presente que ele tencionava fazer para você, ou seja, o pagamento do saldo devedor de sua casa. Porém, o único instrumento que dá ao Sr. Vernon autoridade para agir é o desejo de Elvis. Em virtude de não haver contrato executado, Vernon não tem autoridade para consumar a doação que Elvis pretendia fazer, e ele está sem autoridade subordinada ao testamento ou a legislação do Tennessee para assim proceder”. Era óbvio para nós que o Espólio estava tentando estancar todo vazamento de dinheiro após a morte de Elvis. Chocada, e compreendendo que tinha de largar o emprego, minha mãe sentiu que não tinha escolha senão abrir um processo contra o Espólio, para garantir que as conhecidas promessas e intenções de Elvis fossem plenamente realizadas. Mais tarde, descobrimos que os pais de outra ex-namorada de Elvis também tinham sido solicitados a deixar a casa na qual residiam, porque ainda era de propriedade do Espólio. Quando o caso foi para a Corte do Condado de Shelby, nós perdemos, em virtude de não haver contrato redigido dos desejos de Elvis, apenas um acordo verbal. Nosso advogado levou o caso para a Corte de Apelos do Tennessee, onde eles reverteram a decisão por unanimidade, e o Espólio foi ordenado a proceder com os desejos de Elvis e pagar a hipoteca de nossa casa. O Espólio teve um bocado de outros processos na época, e levou o caso para a Suprema Corte, onde perdemos novamente em virtude de haver somente um acordo verbal e nenhum contrato assinado.

Podemos finalizar perguntando a você qual foi o seu momento mais precioso com Elvis? Talvez algo especial que ele disse ou fez...
O momento em que Elvis colocou o anel de noivado em meu dedo tem lugar especial em meu coração. Também estimo o fato de que fui parte de sua vida e testemunha em primeira-mão do divertido, sensível e adorável homem que ele foi. Quando Elvis e eu discutimos nossos planos de casamento e marcamos a data do casamento para 25 de dezembro de 1977, lembro-me de pensar de como foi apropriado termos voltado para o quarto de Lisa, onde o tinha encontrado da primeira vez. Era manhãzinha de 16 de agosto, e sempre senti que foi o jeito de Deus nos dizer, mais uma vez, como Elvis verdadeiramente se sentia antes de Deus levá-lo, e para que eu fosse grata para sempre.

E como você acha que Elvis deveria ser lembrado?
Acho que Elvis deveria ser lembrado com grande respeito por sua paixão e originalidade no campo musical. Sua habilidade para “ser ele mesmo” em filmes, que parecia vir sem esforços para alguém que certa vez me contou que, como ator, a parte mais difícil era ser natural para a câmera. Ele foi uma pessoa que promoveu várias mudanças em sua vida, que amou e apreciou seus fãs e queria ser lembrado por trazer um sorriso para seus rostos e alegria para suas vidas.
...
Elvis era uma pessoa mágica... ele tinha essa habilidade de introduzir você dentro do mundo dele, seja nos seus estudos espirituais ou na sua música. Ele definitivamente tinha um dom; uma pessoa tão carismática, que enchia um espaço facilmente, as atenções eram só nele. Você sentia essa energia.
Elvis estava interessado em muitas coisas; ele queria [fazer] mais filmes, música, casar, ter filhos.
[As últimas palavras que dirigi a Elvis]... eu lembro que disse a Elvis, quando ele foi ao banheiro, para não adormecer; ele disse: “Eu não vou”.
...ainda hoje é difícil falar sobre isso [a morte de Elvis]... foi algo que todos nós não esperávamos. Foi um dia trágico, muito triste.


 Isto é um trecho de meu e-book "Conhecendo Elvis Por Quem o Conheceu", que você pode adquirir diretamente comigo aqui.

Comentários

  1. Elvis nao chegou a casar com Ginger porque não estava escrito no livro de suas vidas
    porém Ginger teve a felicidade de poder compartilhar momentos inesquecíveis com Elvis.

    ResponderExcluir
  2. Esta entrevista parece-me sincera e autêntica, foi muito penoso para todo mundo perder um ser tão iluminado como Elvis Presley, cujas lacunas jamais se dissiparão! Muito obrigada por partilhar connosco!

    ResponderExcluir

Postar um comentário