Esposito (1938-2016) foi, certamente, um dos amigos
mais próximos de Elvis. Nesta entrevista, de 2007, ele fala um pouco sobre essa
privilegiada amizade.
Joe, conte-nos sobre seu início de vida e sobre
quando você conheceu Elvis.
Nasci em
1938, em janeiro. Tive uma boa vida e
fui convocado para servir ao Exército em 1958, aos vinte anos de idade, o que
era bastante incomum, já que a maioria dos jovens eram convocados aos vinte e três. Fui convocado
duas semanas antes de Elvis. Não fiquei contente em servir, mas acho que tinha
de acontecer, porque foi assim que conheci Elvis. Ele estava na Alemanha e eu
também. Nos tornamos amigos e minha vida
mudou completamente. Após o término do serviço militar, passei, dali em diante, a trabalhar para ele.
Qual foi sua primeira impressão de Elvis?
Minha primeira
impressão dele... eu estava muito nervoso porque nunca antes tinha conhecido
uma celebridade – ainda mais a maior
estrela mundial. Foi fantástico... senti que ele era uma cara legal. Podia
sentir algo sobre ele, quando apertei sua mão... sabia que seríamos amigos. Não
me pergunte o porquê; não sei explicar, apenas senti. E foi exatamente o que
aconteceu, nos tornamos muito bons
amigos e ele foi um amigo realmente incrível.
Quais eram os privilégios de se trabalhar para Elvis?
Conhecer a vida
do show business, em Hollywood e várias celebridades por causa dele, e era
muito empolgante estar em Hollywood fazendo filmes. Eu, um rapaz de Chicago,
jamais poderia imaginar que minha vida seria desse jeito. Poucas pessoas podem
dizer que tiveram uma vida como a minha. Muito poucas.
Elvis alguma vez comentou sobre o medo de voltar e
não ser tão popular quanto antes?
Não, nunca
comentou. A reação ao especial com Frank Sinatra foi muito positiva e as
pessoas ainda queriam vê-lo e sua música continuava forte. Mas ele nunca falava
sobre essas coisas. Ele era um cara que não contava os próprios problemas, mas
sempre perguntava dos seus, porque ele queria ajudá-lo se você tivesse algum.
Ele guardava tudo pra si e nunca falou muito sobre sua mãe. Claro, ele a amava muito, mas preferia não falar
muito sobre ela. Acho que ele não queria ser lembrado do tamanho do seu amor
por ela. De qualquer forma, ele nunca falou sobre esse período de sua carreira.
Logo após seu retorno do exército, ele fez uma sessão
de gravações que deu origem ao aclamado álbum “Elvis Is Back!” Você esteve
presente nessas sessões? Quais foram suas impressões e lembranças dele como
artista?
Bem, foram tempos
muito empolgantes. Quando fui trabalhar com ele, nunca perdi uma só sessão de
gravação até o dia em que ele faleceu. Essas sessões eram muito interessantes e
quando eu ouço determinada canção, lembro quando a gravamos e o quanto nos
divertimos fazendo isso. Ele divertia-se muito gravando em estúdio. Cada música
era como um concerto, porque os músicos eram excelentes e nos divertíamos muito
gravando as canções. As canções sérias, você pode sentir que ele cantava com o
coração, porque ele amava cantar e era muito emocional. Certas canções, quando
ele canta, você pode senti-las. Algumas canções me trazem lágrimas quando me lembro de quando foram
gravadas. Para mim, foram ocasiões fantásticas.
Nessa época, Elvis também estrelou o filme “G.I.
Blues”. Este filme e “Blue Hawaii” (no ano seguinte) formariam o padrão para
toda a sua carreira cinematográfica. Apesar de não serem grandes filmes, Elvis e
a máfia divertiam-se muito nos sets de filmagem. Você se recorda de algum filme
em especial?
Ah sim,
absolutamente. Muita diversão. Elvis adorava se divertir e fazer filmes era
muito divertido, especialmente as locações, como Havaí, Hollywood... nos divertíamos muito nos sets.
E ele trabalhava muito bem. Sempre chegava no horário, nunca se atrasava, todos
gostavam dele, todos os funcionários, diretores, atores... era muito divertido!
“Viva Las Vegas” foi muito divertido, especialmente por Ann-Margret. Ela foi
uma das pessoas mais bacanas que conheci no show business, uma mulher
fantástica e continuo amigo dela ainda hoje. “Follow That Dream”, filmado na
Flórida... nos divertimos muito nas locações com ele, os atores e todo o
pessoal. Alguns filmes têm detalhes que sempre estarão em minha mente e onde
conheci muitas pessoas interessantes.
É sabido que Elvis não gostava dos papéis
superficiais que lhe eram oferecidos e almejava ser um ator sério. Ele alguma
vez confrontou o Coronel sobre essa questão? Ele alguma vez exigiu melhores
roteiros?
Ele falava
conosco sobre essa insatisfação. Ele não gostava de muitos dos roteiros, mas
devia ter reclamado com o Coronel e ele teria feito as alterações necessárias.
Mas Elvis não era de reclamar e, se reclamasse, reclamava para nós. Ele não
reclamava para quem devia reclamar e esse era um de seus defeitos. Foi um dos
seus erros.
Também durante essa época ele se envolveu romanticamente com Ann-Margret.
Quão envolvidos eles estiveram e ele alguma vez considerou a possibilidade de
casar-se com ela?
Não acredito.
Havia esses rumores em jornais e revistas. Eles eram ótimos juntos e muito
próximos, combinavam, divertiram-se muito. Mas ambos sabiam (Elvis, principalmente)
que ele nunca se casaria com alguém do show business, porque ele queria uma
esposa que não fizesse filmes nem estivesse em locações em Hollywood. Ele
queria uma esposa do lar. E por isso ele casou com Priscilla, a quem amava, sem
dúvidas. Mas, casar com alguém do show
business, isso ele não faria.
Foi por isso que o romance terminou de forma tão
abrupta?
Sim, estava
ficando muito sério e acho que Elvis percebeu isso. Mas continuaram amigos após
o rompimento. Ele apenas sabia que não daria certo para ambos.
Os anos 1960 foram tempos de mudança para Elvis.
Recentemente ele havia perdido sua mãe e seu pai logo casou com outra mulher,
Dee Stanley. Parece que Elvis odiava profundamente esse fato. É verdade?
Bem, ele não
odiava o fato, mas não estava muito satisfeito com ela. Porque ele sentia (e
todos nós também sentíamos isso) que Dee casou-se com Vernon apenas para ficar
perto de Elvis. E basicamente foi isso mesmo. Ela não se casou com Vernon para
ficar com Vernon, mas porque ela teria, de alguma forma, Elvis.
Como ficou o relacionamento de Elvis com seu pai após
Vernon envolver-se com Dee?
Elvis amava seu
pai e disse: "Se isso lhe faz feliz, tudo bem". Ele queria que seu
pai fosse feliz e basicamente foi isso o que aconteceu. Ele nunca falou com seu
pai sobre isso, nunca reclamou. Ele dizia: “É o meu pai e se ele quer curtir a
vida e é feliz com ela..."
Tocando no assunto, é dito por algumas fontes que
Elvis não queria se casar com Priscilla, mas
foi forçado a fazer isso pelo pai dela. Isso é verdade?
Absolutamente
não. Elvis sempre quis casar-se com Priscilla. Uma vez que se apaixonaram, ele
sabia que casaria com ela. Ele apenas não queria casar-se com ela enquanto ela
não completasse vinte e um anos. Se você olhar as fotos das cerimônias, ele
estava muito feliz. As pessoas, o show business e os jornais adoram falar de
coisas negativas porque isso faz
dinheiro. Você não conseguia obrigar Elvis a fazer algo se ele não quisesse.
Também, durante essa época, Elvis deu-lhe um presente
muito especial. Por favor, conte-nos sobre isso.
Eu tinha um
apartamento em Los Angeles, que estava alugando. Elvis e Priscilla vieram ao
apartamento e começamos a conversar. Ele disse: "Você precisa de uma casa
e não de um apartamento". Falei: " É, qualquer dia desses..." Ele respondeu: "Não
‘qualquer’ dia desses - vamos comprar uma agora!" Fiquei chocado. Havia
uma corretora nos esperando do lado de fora e saímos para procurar casas e ele
me comprou uma - para mim e minha família! E foi tão difícil; o que você pode
dizer a uma pessoa que te dá uma casa? Tudo o que pude dizer era: “Cara, eu te
amo, e muito! Muito obrigado por fazer isso por mim!” Ele adorava a expressão
no rosto de uma pessoa quando ele dava algo que elas não podiam ter. Ele
adorava, era muito generoso.
O final dos anos 1960 e início dos anos 1970 marcou o
retorno de Elvis ao topo. Quais são suas lembranças dessa época, quando ele fez
o especial para a NBC e seu retorno às apresentações em Las Vegas?
Foi uma grande
revolução. Elvis esteve num abismo durante o meio da década de 1960, com a
música e a “invasão britânica" [dos Beatles]. Quando ele começou a mudar as coisas e se
preparar para o especial, ele estava muito preocupado pois não sabia como o
público iria reagir. Mas, como todos sabemos, foi o especial do ano. Ele estava
fantástico e tudo foi muito bem montado pelos envolvidos na produção, o
produtor do especial Steve Binder e todos os outros. Isso o fez se sentir muito
bem e foi aí que o Coronel ficou sabendo que Elvis voltaria aos palcos. Essa
era a parte favorita para ele. Ele adorava estar no palco, cantando.
O que se seguiu foram anos de concertos, inovações
artísticas e alguns hits como “The Wonder of You” e “Burning Love”, culminando
com o projeto “Aloha From Hawaii”. Quão empolgado estava Elvis com esse
projeto?
Estava muito
nervoso a princípio. Quando ele fez o show via satélite, ninguém antes havia
feito. Ele foi o primeiro. Era muitíssimo caro alugar o satélite por uma hora e
por isso o Coronel foi até a NBC, pois eles eram os donos do satélite - na
verdade, a divisão radiofônica deles. Então eles firmaram o acordo e foi o
primeiro especial do gênero. Ele estava uma pilha de nervos, mas à medida que
foi ensaiando e curtindo o Havaí, começou a se sentir cada vez mais
confortável. O problema com um show dessa magnitude é que você tem que entrar
no palco num determinado momento e sair em outro, senão o sinal é cortado após
uma hora. Então a parte mais difícil, com a qual ele estava mais preocupado,
era cronometrar o show corretamente. Eu estava ao lado do palco, com uma
lanterna e dez minutos antes do tempo se esgotar, pisquei a lanterna em sua
direção e ele sabia que só tinha dez minutos. Foi uma performance
inacreditável. Tudo destinado à caridade e ele estava muito satisfeito com a
situação quando entrou no palco. Fez um trabalho fantástico, estava fabuloso, o
que mais podemos querer? Um grande cantor, num grande cenário, grandes músicas
e agora é parte da História.
Logo após o “Aloha From Hawaii”, Elvis voltou a Las
Vegas, para frustração dele. Para piorar as coisas, um incidente desagradável
ocorreu quando alguns homens invadiram o palco e o atacaram. O que realmente
aconteceu naquela noite e por que esses homens atacaram Elvis?
Não houve um
ataque a Elvis. O cara correu para abraçá-lo, mas você nunca sabe quando o cara
pula no palco e corre em direção à uma pessoa famosa, se ele vai esfaqueá-lo ou
o quê. Então os seguranças o agarraram rapidamente e o contiveram. Mas ele não
ia atacar Elvis, só queria conhecê-lo [mais de perto].
Infelizmente, após quatro ou cinco anos de grandes
projetos, o entusiasmo de Elvis perante o público pareceu diminuir, na medida
que a pressão e o stress de uma agenda de apresentações começaram a cobrar seu preço. Ele começou a
ganhar muito peso e seu problema com medicamentos agravou-se ainda mais. Isso
resultou em algumas performances ruins, como em Maryland, em 1974. Essa foi a
primeira vez que ele se apresentou de forma sofrível perante o público. O que
realmente aconteceu para que ele acabasse nesse estado?
Bem, ele
viciou-se em remédios. Todos sabem que não é fácil livrar-se desse vício. As
pessoas sempre nos perguntam por que não fizemos nada a respeito. Nós até
tentamos, mas você não conseguia obrigar Elvis Presley a fazer algo que ele não
quisesse. Todos que tem problemas com álcool ou são viciados em drogas ou em
remédios devem tomar a decisão de mudar suas vidas por conta própria. Você não
pode convencer uma pessoa a fazer isso. A
família dele, do lado de sua mãe, viciava-se com facilidade. Vários de
seus primos mais jovens morreram precocemente por causa do álcool ou mesmo por
causa de drogas. Ele viu dois de seus primos mortos na cama em Memphis, no
tempo em que trabalhei para ele. Então eu acho que ele puxou esse comportamento
do lado da família da mãe dele. É muito difícil, quando você é um astro dessa
magnitude; é muita pressão. Ele estava
ficando mais velho naquela época, com quase quarenta anos, e quando você fazia quarenta anos naquela
época, era um grande momento em sua vida e dali pra frente, o caminho era uma
descida. Não era como hoje. Então, aquelas coisas publicadas em jornais e
revistas ("gordo e quarentão") o afetavam profundamente. E o que você
faz? Toma uma pílula ou outro drink... mas ele não era um alcoólatra. Então tomava as pílulas e foi isso que o
aprisionou. Pra completar, na última parte de sua vida, aqueles caras, que se
chamavam de amigos, escreveram o livro sobre ele, “Elvis, What Happened?” e
isso o deprimiu. No último ano de sua vida, tudo o que falávamos diariamente,
toda a noite, até o dia em que ele morreu, era sobre o livro.
O Coronel sabia sobre os problemas de Elvis com a
saúde e com o consumo de remédios?
Ah, sim! O
Coronel conversou com ele sobre isso, com certeza! E Elvis dizia, só pra sair
do assunto: "Vou mudar, vou ficar melhor"; mas não o fazia. E se você
o questionasse novamente, ele dizia: " Ei, se você não gosta das coisas
por aqui, caia fora".
Elvis estava furioso com os rumores dos tabloides que
diziam que ele estava viciado em heroína, e no show de encerramento de sua
temporada de agosto de 1974 em Las Vegas, ele ameaçou quebrar o pescoço do
"filho da puta" que havia dito isso. Você se recorda dessa noite?
É, eu lembro… mas
não foi assim tão ruim. Quando estamos nervosos, sempre dizemos coisas que na
verdade não vamos fazer. Ele ficava muito irritado com as coisas mas aí sentava
e pensava "Ei, o que estou fazendo?" Quando você é um grande astro,
eles inventam histórias, distorcem fatos... porque eles adoram vender jornais e
revistas. Ainda é assim hoje.
Durante a temporada de março de 1975, ele recebeu a
visita de Barbra Streisand, que lhe ofereceu um papel no filme “A Star is Born”
(“Nasce Uma Estrela”). Elvis ficou muito animado com a proposta e parece que
queria muito fazer o filme. Porque o Coronel impediu o projeto e como Elvis
reagiu à oportunidade perdida?
Eu estava lá
quando Barbra e o seu namorado vieram falar com Elvis. Estávamos na sala e ele
achou que era uma grande ideia, um grande papel. Mas aí ficamos sabendo dos
detalhes, porque você não faz um filme só porque alguém lhe convidou. Ele
recebeu os detalhes e um deles é que o namorado de Barbra, John Peters, que era
cabeleireiro, iria dirigir o filme.
Várias coisas foram discutidas – “Espera lá, esse cara não é um diretor, é um
cabeleireiro", “Ele não é um grande diretor”, coisas assim. E aí começamos
a receber informações de que a Barbra não era uma pessoa fácil de se trabalhar
e demandava que tudo fosse feito do seu jeito. Então certamente haveria atrito
entre ela e Elvis. Também havia a questão financeira. Elvis não ia receber o
que estava acostumado a receber por um filme. Vários detalhes que, no final,
não se encaixaram. Nunca saberemos como teria sido se ele tivesse feito o
filme, mas algumas coisas na vida acontecem sem que saibamos o porquê. Mas,
certamente, elas têm um motivo.
Você se lembra dos dois últimos Natais, em 1975 e
1976?
Bem, nós
curtíamos nossos Natais. Tivemos ótimos momentos porque o Natal era a época do
ano favorita de Elvis. Ele adorava o Natal, adorava dar presentes, adorava o
clima de Natal. Era uma pessoa muito religiosa e adorava as canções natalinas,
então nos divertíamos muito. Era difícil por causa do que ele estava passando:
num dia ele acordava bem, e estava contente, alegre, bem aparentado, se
divertindo muito e assim ficava por umas duas semanas. Mas aí alguma coisa o
deprimia de repente e ele voltava a tomar os remédios. Era difícil. Bons e maus
momentos.
Ele fez seu último especial para a TV em 1977, para a
CBS. Ele alguma vez comentou sobre o especial e o que achava dele?
Não. Ele não
estava em boa forma e às vezes era difícil falar com ele sobre certas coisas.
Ele era esse tipo de cara que, uma vez comprometido a fazer algo, ele fazia. O
que acontece com esse especial é que ele está péssimo, mas se você o ouvir
cantar, sua voz ainda está forte; ele apenas não está com boa aparência. Foi
triste para todos nós.
Próximo do final de 1976, ele conheceu Ginger Alden.
Ele parecia muito feliz com ela por um tempo. Mas, após alguns desentendimentos,
parece que ele foi perdendo o interesse nela e, segundo rumores, ele já estava
substituindo-a por outra garota. Outros rumores dão conta de que ele iria se
casar com ela. Qual é a verdade sobre isso?
Não... há muitas
histórias sobre essa situação. Ele a conheceu, uma garota muito bonita, muito
bacana, mas o maior problema com Ginger é que a família dela estava sempre em
cima, o tempo todo. A mãe dela era a "chefe" dela, dizendo o que ela
devia fazer e o que não devia, o que aceitar e o que não aceitar... ela estava
sempre conosco, querendo ficar perto de Elvis o tempo todo e ele não estava
muito contente com isso. Ele gostava bastante de Ginger, mas a mãe dela a
controlava demais e queria ficar com Elvis o tempo todo. Não acho que ele fosse
casar com ela. Ele talvez tenha dito isso a ela
para que ela ficasse com ele, mas depois de um tempo ele começou a ver
outras garotas. Não acho que ele fosse casar com ela.
Um pouco antes, Elvis demitiu seus amigos de longa
data, Sony e Red West e também David Hebler. Isso teve consequências
arrasadoras para sua vida pessoal. Qual
foi o verdadeiro motivo da demissão dos irmãos West e de David Hebler?
Vernon foi quem
decidiu demiti-los. Eles estavam recebendo vários processos na justiça, porque
eles, como seguranças, eram um tanto quanto agressivos nas turnês. Quando você
detém uma pessoa, não pode agir tão veementemente a ponto de machucá-la. Foi
por isso que Vernon disse à Elvis: “Estamos sendo processados por diferentes
pessoas, por causa do que está acontecendo nas turnês então será melhor demitir
esses caras". E foi isso o que aconteceu. Elvis disse: “Certo, pai; se é o
que deve ser feito..." E ele os demitiu e por isso o livro foi lançado.
Aparentemente eles ficaram muito chateados mas eu sei (e eles sabiam também,
principalmente Red) que eles seriam chamados de volta em três meses. Todos nós
fomos demitidos em algum momento, quando Elvis ficava com raiva. Eu sei muito
bem e Red deveria saber disso ainda mais. Mas do nada, eles se juntaram com
esse péssimo escritor (Steve Dunleavy) para escrever esse livro, e quando Elvis
ficou sabendo, ficou muito aborrecido e isso o perseguiu até à última noite [de
sua vida]. Nos últimos nove meses de sua vida, todas as noites, falávamos
somente sobre o livro... sobre ele ter sido traído por aqueles que considerara
amigos. Ele simplesmente não conseguia tirar o livro da cabeça. Ele ficava
dizendo: "Minha filha vai ler isso quando ficar mais velha",
"Ela vai entender errado" e "Porque eles fizeram isso
comigo?" Foi muito duro. Conseguíamos cópias dos capítulos, à medida
que eram escritos e ele lia esses
capítulos, e a leitura o deixava muito perturbado. Como sabemos, ele esteve
depressivo durante todo o último ano de sua vida e eu diria que 80% dessa
depressão era por causa do livro.
Não muito depois do surgimento desse livro, Elvis
infelizmente faleceu. Você foi testemunha ocular desse dia terrível. Mesmo
sendo um assunto doloroso, você poderia
nos contar sobre o dia em que o mundo perdeu o maior astro da música?
Estávamos nos
preparando para sair em turnê naquele dia. Deveríamos ir para Portland, Maine,
porque ele iria fazer um concerto lá, no dia 17. Então, estávamos lá, no dia
16, aprontando as coisas como sempre fazíamos. Deixaríamos a cidade em direção
à Portland. Cheguei na noite do dia 15 e falei com ele ao telefone. Perguntei
se ele precisava de alguma coisa em especial para o próximo dia. Ele disse:
"Bem, Joe, só não esqueça de me
acordar às quatro da tarde”. Então eu arrumei tudo e cheguei a Graceland no dia
16, por volta do meio-dia. Entrei em contato com o piloto e com a
tripulação para lhes informar a que
horas iríamos partir. Al Strada estava na casa, cuidando de suas roupas. Eu
estava fazendo meu trabalho quando, às duas da tarde, uma ligação de Ginger
veio do andar superior, e a governanta atendeu. Ginger perguntou se algum dos
caras estava por perto. Ela disse: “Deixe-me falar com um dos caras" e o
telefone foi passado para Al Strada. Ela
lhe disse que Elvis caíra no chão do banheiro. Corremos para o andar de cima e
foi aí que encontramos Elvis caído no chão do banheiro. Tentei reanimá-lo, mas
não consegui. Telefonei, chamando uma ambulância. De repente Vernon subiu as
escadas e fiquei muito preocupado porque ele havia sofrido um ataque cardíaco
um ano e meio antes, então ficamos
preocupados com ele. Tentei reanimar Elvis enquanto esperávamos a ambulância e
finalmente ela chegou. O colocamos dentro dela e fui junto. Charlie Hodge pulou
para dentro também. O Dr. Nichopoulos chegou naquele exato momento e também foi
conosco na ambulância. Levamos Elvis até o hospital, e ele foi levado à sala de
emergência. Fomos encaminhados a uma outra sala e aguardamos. Ao final, o Dr.
Nichopoulos veio e anunciou que Elvis havia partido. Naturalmente, todos choramos. Não podíamos acreditar. As pessoas
começaram a chegar. Billy Smith estava lá, jornais e canais de TV procuravam confirmar
a notícia com o hospital, querendo saber o motivo de Elvis estar lá. Pedimos ao
Dr. Nick que fosse até Graceland, antes que anunciássemos o falecimento de
Elvis, e contasse a Vernon antes que ele ouvisse a notícia pelo rádio.
Um dos policiais levou o Dr. Nichopolous até Graceland para que ele pudesse
informar Vernon e depois disso comecei a fazer as ligações necessárias. Liguei
para o Coronel em Portland e contei o que aconteceu. Ele ficou chocado e disse:
"Joe, vou chegar em uma hora, aguente”. Então liguei para Priscilla e contei
a ela e a outras pessoas. O médico do hospital veio até mim e perguntou se eu
queria fazer o anúncio, porque a imprensa estava esperando. Pensei por um tempo
e disse que não conseguiria fazê-lo. Pedi que ele o fizesse. Depois disso,
atendi ligações do mundo todo, de diferentes pessoas, jornais e repórteres.
Foram dois ou três dias muito duros, mas tínhamos um trabalho a fazer e nos
unimos, sentávamos para conversar... Vernon queria o caixão aberto para que os
fãs pudessem dar o último adeus a Elvis. Foi duro, mas todos fizeram um bom
trabalho. Sabíamos que aquele seria o último show de Elvis, era assim que
falávamos, e por isso queríamos fazer tudo da melhor forma. As pessoas vieram
do mundo todo, e foi tudo muito impressionante e muito difícil. Essa seria a última
vez que veríamos Elvis Presley. Foi duro, muito duro. Na verdade, só me dei
conta de que ele tinha partido, depois de três meses. Não queria aceitar o fato
de que meu amigo estava morto. Queria acreditar que o veria novamente. Aí
fiquei muito depressivo. Foi duro. Foi difícil para todos nós.
Você acredita que ele morreu devido a uma overdose
acidental de remédios?
Não. Elvis tinha
um coração dilatado. Sempre teve. É o que chamam de "coração de atleta" e não é nada
bom. Ele tinha pressão alta e outros problemas de saúde. Com toda a quantidade
de remédios que estava tomando, e com a vida que levava... sempre dizíamos para
ele: " Você tem que tirar uns seis meses de descanso", e ele dizia:
"Não, tenho que continuar trabalhando". Acho que seu coração simplesmente
disse: "É isso, não posso mais suportar", e parou. Elvis podia tomar
grandes quantidades de remédios sem ser afetado. Nunca imaginamos que ele
morreria aos quarenta e dois anos de idade. Sempre pensávamos que um dia ele
iria acordar e dizer: "Eu mesmo faço isso", e mudaria tudo... mas
nunca aconteceu.
Você poderia nos esclarecer a respeito da foto de
Elvis no caixão? Quem a tirou e qual foi a reação de Vernon quando soube dessa
foto?
Foi muito
perturbador. Foi um de seus parentes, um de seus primos. O National Enquirer
deu-lhe a câmera e disse que pagaria 10.000 dólares se ele conseguisse uma foto
de Elvis no caixão. Isso mostra o que as pessoas fazem por dinheiro. Ele tirou
a foto e a deu ao National Enquirer. É incrível como alguém pode fazer algo assim,
ainda mais com um parente.
Depois da morte de Elvis, muitos pensaram que ele
seria lentamente esquecido. Entretanto, seu status continua a crescer a cada
ano. Você estava lá, nas comemorações do
30º aniversário de sua morte. O que você achou das celebrações e do fato de
que, mesmo trinta anos depois, as pessoas vêm de todas as partes do mundo para
homenageá-lo em Memphis?
Acho e sempre
achei que havia algo de especial em Elvis. Ele tinha um carisma, um olhar, seu
incrível sorriso e voz... você percebe que ele cantava com o coração. E isso
faz as pessoas se sentirem bem. É por isso que a sua música continua forte
entre as crianças, adolescentes e jovens... ele tinha um apelo que outros
artistas não tinham e nunca vão ter. Deus deu a ele algo que não dá a nenhum
outro e é por isso que ele continua presente. Quando as pessoas ficam
deprimidas, colocam um CD de Elvis e se sentem bem. Fiquei muito impressionado
[com as celebrações e carinho dos fãs] e mal podia acreditar que se passaram
trinta anos desde do dia em que ele se foi. Ele está maior do que nunca, fãs
jovens enlouquecendo por ele e isso me faz sentir muito bem. Isso mostra que só
existiu um Elvis Presley e nunca haverá outro. Me sinto honrado por ter sido
seu amigo e fazer parte de sua vida.
O que você mais sente falta dele e como devemos nos
lembrar dele?
Bem, você deve
lembrar-se dele através de sua música, pois ela faz as pessoas se sentirem bem.
Ele adorava estar no palco por causa dos fãs. Ele sabia que, se não fosse por
eles, ele não seria quem ele era. Muitas celebridades ignoram os fãs. Elvis
amava seus fãs e ficava mais de meia hora parado, tirando fotos e dando
autógrafos. Muitas dessas novas estrelas não fazem isso. Como já falei, eu
sinto que Elvis está na minha vida todos os dias. Ainda hoje. Conheci muitas
pessoas e fiz muitos amigos graças a ele. Às vezes não acredito como tive tanta
sorte de ter trabalhado para ele. O cara mais bacana do mundo e um artista tão
talentoso. Tive muita sorte e fico muito contente por ter sido seu amigo.
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