Dentro de Graceland - Capítulo 9




EM CASA PELA ÚLTIMA VEZ

De alguma forma, lentamente, nos dias subsequentes ao enterro de Elvis, as coisas começaram a voltar ao normal em Graceland.
Embora soubéssemos que nada seria como antes, a necessidade ditou que a vida na mansão retornaria, ao menos para alguma aparência de normalidade.
Afinal de contas, mesmo com a partida de Elvis, sua família continuou a residir ali. Sua avó, Minnie Mae, bem como sua tia Delta, ainda estavam bem vivas. E, apesar de Vernon ter sua própria casa, ele manteve o escritório nos fundos da casa e usou a mansão como sendo sua.
Mesmo após a morte de Elvis, o escritório tinha que ser mantido e os negócios realizados. Contas precisavam ser pagas,  fãs ainda escreviam pedindo fotos, horários precisavam ser mantidos. E, claro, Lisa Marie continuaria a visitar [seus parentes em Graceland].
Além disso, Charlie Hodge ainda morava lá, assim como outros membros da comitiva de Elvis.
Ainda era nossa responsabilidade (como sabíamos ser a vontade de Elvis), que continuássemos a manter Graceland um lugar confortável para todos eles, como quando Elvis era vivo.
Ele certamente não consentiria em nenhuma alteração.
Não lembro quantos meses custaram para que as coisas voltassem ao que eu chamaria de "normal". Só sei que não aconteceu logo.
Um sentimento de perda permeava toda a casa, com uma sensação que eu jamais experimentara antes. Durante muito tempo eu me vi falando num tom abafado, como se Elvis tivesse acabado de falecer naquele dia.
Era difícil seguir em frente com nossa rotina, agindo como se as coisas continuassem as mesmas. Não eram as mesmas; mas, claro, ainda tínhamos as mesmas responsabilidades para assumir.
A única coisa que mudou foi que Elvis não estava mais fisicamente conosco. Digo "fisicamente", porque coisas estranhas começaram a acontecer depois que ele morreu.
Devo dizer que não sou daquele tipo que se assusta facilmente, ou acredita [piamente] no sobrenatural, mas admito que fiquei nervosa em mais de uma ocasião, devido a eventos ocorridos [na mansão] após  a morte de Elvis.
Não fui a única pessoa que pensou ter ouvido e visto essas coisas; muitas outras ouviram e viram o mesmo tipo de coisas. Então isso não pode ser mera coincidência.
Quando comecei a trabalhar em Graceland, comentei com várias das outras empregadas que a casa ainda estava "habitada" pela mãe de Elvis, Gladys. Minnie Mae me contou que ela também tinha ouvido e visto coisas que a levaram à mesma conclusão, fazendo-a crer que era mesmo o espírito de Gladys habitando a mansão, como para certificar-se de que estavam cuidando bem de Elvis.
Sendo muito cética, eu não acreditava nisso.
Depois de vários meses, no entanto, eu já não tinha tanta certeza. Comecei a ouvir passos vindos do andar de cima, quando eu sabia que ninguém estava lá. Outras vezes ouvia uma voz fraca vinda de um quarto e, quando ia lá conferir, não havia ninguém.
Chegou a um ponto onde acabei “dizendo para ninguém”: "Eu sei que você está aqui, sra. Gladys, e isso é bom”.
Lembro de um dia ter dito algo nesse sentido em voz alta e, em seguida, percebendo o que fizera, olhei em volta para ter certeza de que ninguém tinha entrado na sala e me visto falando sozinha.
Felizmente, nunca senti medo do que estava acontecendo [ali]; no entanto, devo admitir que isso às vezes tornava-se irritante, especialmente se eu estivesse sozinha à noite.
Então, ao longo dos anos, acabei me acostumando a esses fenômenos. Acho que, embora não pudesse explicá-los, eu apenas sentia que isso deveria ser minha imaginação, “recebendo” o melhor de mim.
Mas isso não ajudou muito. Vários dias depois de "ouvir" alguém que não estava lá, lembrei que quando Elvis estava vivo, ele decidiu tentar algo novo, o que muitas vezes ele fazia com frequência.
Ele tinha dito que você poderia se comunicar com um morto acendendo velas em sua memória, e que isso também ajudava a afastar os maus espíritos. Ele passou vários dias e noites acendendo um monte de velas e incenso no quarto dele, tentando se comunicar com sua falecida mãe.
Aqueles dias não me eram nada agradáveis. Quando eu entrava no quarto dele, que era sempre frio e escuro,  havia um estranho cheiro de fumaça misturado com incenso, que me fazia sentir um pouco desconfortável. Além do desconforto com o cheiro, acabava gastando várias horas (e isso aconteceu várias vezes) limpando a cera de várias peças dos móveis, bem como do tapete, onde as velas tinham pingado. Eu também tinha medo dele acabar queimando a casa [com tantas velas].
Então, mesmo acostumada com essas coisas (que, ocasionalmente, não eram tão "normais" como eu gostaria), eu não estava preparada para coisas ainda mais estranhas que ocorreram após a morte de Elvis.
Cerca de duas semanas depois do funeral, eu estava limpando a sala de TV no porão.
Tinha acabado de limpar o pó do balcão amarelo no bar, localizado no pequeno corredor na parte inferior da escada, quando, de repente, ouvi a porta que dava para a sala da lavandaria se fechar. Não apenas ouvi, como senti também.
Ela fechou com tanta força que eu pensei que alguém, furioso, a tinha fechado com violência. Levei menos de um segundo para ir ao corredor e ver quem era - tempo suficiente para ver alguém que estivesse ali.
Não vendo ninguém,  presumi que o “furioso” devia ter ido para a lavanderia, fechando a porta logo em seguida.
Dirigindo-me rápido para a porta,  abri, esperando ver tia Delta, ou talvez Charlie, dentro da sala.
Para minha surpresa, quando abri a porta, percebi que a sala estava escura.
Olhando para as sombras da sala, acendi a luz, apenas para descobrir que a sala estava completamente vazia.
Apressei-me até às escadas para ver se tinha alguém lá em cima.
Tia Delta estava sentada na sala da selva, lendo uma revista, com um olhar perplexo após ouvir a porta bater tão alto.
Perguntei se ela não tinha visto alguém subir as escadas. "Não, Nancy, ninguém mais tem estado aqui em cima além de você. Não foi você quem bateu a porta lá embaixo?"
Fiquei tão nervosa que não pude contar-lhe o acontecido. Como eu poderia explicar o que não entendia?
Noutra ocasião, um mês depois, eu estava sozinha na sala de troféus, à noite, quando  comecei a me sentir um pouco tonta. Parecia estar com um princípio de gripe e eu decidi me deitar numa das plataformas elevadas até me sentir melhor.
Depois de um tempo deitada, comecei a piorar; então fechei os olhos, achando que isso ajudaria. Enquanto estava lá,  senti alguém puxando meu pé, como que querendo me acordar.
Lembro de dizer para mim mesma que era tia Delta, que ela pensava estar me pegando no cochilo e eu agora estaria em apuros.
Mas, ao abrir os olhos e olhar para baixo para ver quem era, não havia ninguém.
Tirando eu, o quarto estava completamente vazio. E eu sei que senti alguém puxando minha perna.
Diversos outros acontecimentos, igualmente inexplicáveis, se deram naquela casa.
Em mais de uma ocasião, novamente estando eu na sala de troféus, as luzes de um ou mais estojos dos troféus de repente ligavam e desligavam sozinhas.
Às vezes a campainha da porta da frente tocava à noite e, quando íamos atender, não havia ninguém lá.
Outras vezes, a lâmpada da cozinha começava a balançar para frente e para trás, sem causa aparente.
Sei que as pessoas pensarão que eu sou louca por contar essas coisas, mas o fato é que elas aconteceram, embora eu não possa explicá-las.
Até hoje,  quando comento sobre isso com amigas que ainda trabalham em Graceland, elas relatam que coisas estranhas continuam ocorrendo lá.
Apesar de tipicamente não acreditar nessas coisas, eu finalmente me permiti acreditar que tais fenômenos  inexplicáveis realmente aconteceram em Graceland.
Eu dizia para mim repetidamente que Elvis não estava [mais] em Graceland. "Ele foi enterrado no cemitério de Forest Hill, que fica há vários quilômetros de distância. [É lá que ele está]”.
Isso, no entanto, mudaria em pouco tempo.
Pouco depois do sepultamento de Elvis, ao chegar em Graceland numa manhã, encontrei Vernon, tia Delta e a avó reunidos na sala de jantar, visivelmente chateados.
Contaram-me que na noite anterior tentaram roubar o corpo de Elvis.
Aparentemente, a polícia foi notificada sobre o roubo [a tempo], prendendo três jovens que seguiam para o mausoléu de Elvis, portando ferramentas para arrombar a cripta.
Pelo que eu soube mais tarde, a tentativa de roubo aparentemente não foi considerada uma ameaça real, mas foi o bastante  para deixar Vernon preocupado.
Ele comentou várias vezes estar muito preocupado com o fato de as sepulturas de Elvis e Gladys estarem vulneráveis às maldades e danos de curiosos. Ele até contratou seguranças para o cemitério, mas não deu muito certo. E agora com esse incidente...
Decidiram então traçar um plano para escolher um lugar onde os corpos de Elvis e Gladys pudessem ser enterrados, de forma definitiva, dentro dos limites de Graceland, onde a segurança seria controlada.
O local mais lógico [encontrado] foi o jardim da meditação, ao lado da área da piscina que originalmente tinha sido um vinhedo antes de Elvis comprar a propriedade, e que tinha se tornado num local privado para Elvis e sua família quando  precisavam ficar a sós.
Em meados da década de 1960, Elvis reformou a área na condição atual. Agora, Vernon decidiu que era onde ele queria Elvis e Gladys enterrados.
Ele achou que tudo o que tinha a fazer era ligar para a funerária, solicitando o traslado dos dois caixões para Graceland e enterrá-los lá.
Mas não foi assim tão simples.
Ele foi informado pela funerária de que precisava de uma permissão para que [o status de] Graceland (obviamente uma área residencial) fosse alterado para que os corpos pudessem ser enterrados lá.
Eu ouvi Vernon comentando, chateado, ao telefone, com alguém da casa funerária, que ele simplesmente não poderia pagar pelo serviço.
Ele desligou o telefone quando eu passei, e ele me disse:
"Nancy, eles parecem não entender, eu preciso trazer meu filho e a mãe dele para casa!"
Não parecia uma informação confidencial, apesar de estar falando comigo  em particular. Acho que, por eu estar ali naquele momento, ele estava apenas desabafando sua frustração.
Ele tinha lágrimas nos olhos enquanto falava. Lembro que pensei como ele parecia velho e cansado.
Não lembro exatamente o que eu disse a ele, mas tenho certeza que foi algo como: "Sr. Vernon, eu tenho certeza que irá encontrar uma forma de resolver isso”.
E, claro, ele encontrou. Ele às vezes podia ser teimoso e determinado quando queria muito alguma coisa, e sobre esta questão ele estava decidido.
Levou alguns meses, além de certa soma em dinheiro, persuadir os vizinhos a concordar com isso, mas ele finalmente conseguiu a autorização necessária para trazer sua família de volta para casa.
Após alguns arranjos entre a funerária e o cemitério,  no início da noite de um domingo, 02 de Outubro de 1977, dois carros funerários e duas limusines brancas atravessaram os portões traseiros de Graceland e se dirigiram para a frente da mansão.
A transferência dos corpos, que tinha sido originalmente planejada para o dia seguinte, foi antecipada um dia, na tentativa de manter a coisa longe dos noticiários, que, com certeza, já planejavam transformar o evento num "filme das onze”.
Apenas alguns repórteres, que estavam junto aos portões da frente, testemunharam a pequena procissão de carros da funerária.
Ao longo daquele dia observamos um pequeno grupo de trabalhadores com uma retroescavadeira e pás para cavar duas covas no solo, na área do jardim da meditação.
Alguns arbustos foram removidos e um paisagismo menor estava sendo feito para acomodar os túmulos.
Além disso, algumas linhas elétricas tiveram de ser instaladas antes de cavarem  os túmulos.
Vernon decidiu que toda a área comportaria um total de quatro túmulos: os dois primeiros seriam cavados para Elvis e Gladys e os dois restantes para ele e sua mãe, Minnie Mae.
Depois de cavar as aberturas dos túmulos,  vimos um pequeno guindaste sendo conduzido para o final da área da piscina.
Um caminhão se aproximou do guindaste e dois grandes jazigos foram içados - o primeiro, com giz branco, estava marcado "Elvis" e, em seguida, o segundo,  marcado "Gladys".
As tampas foram então colocadas para o lado, fora do local.
Estive entre os vários funcionários que saíram para observar o local, após a saída dos operários.
Não posso explicar a estranha sensação que senti olhando aqueles túmulos abertos, sabendo que um deles seria o lugar do descanso final de Elvis nesta Terra.
Fiquei impressionada com a profundidade das covas.
Lembro que, estando inclinada, olhando para o túmulo de Elvis, a luz solar bateu no fundo do túmulo de tal maneira que refletiu um brilho de cor dourada para fora da parede de cobre no interior do túmulo por uma fração de segundos.
Já me sentindo desconfortável, além de nervosa, saltei para fora rapidamente, achando que fosse cair no túmulo.
Foi uma experiência enervante.
Rapidamente voltei para a parte principal da casa, ainda um pouco trêmula. Estávamos todos ainda com problemas [emocionais] face à morte dele.
Já havia passado um mês e meio, e Vernon ainda sofria.
Não foi fácil para ele trazer o corpo de Elvis e de Gladys para Graceland.  Ele ainda arcou com algumas despesas depois disso.
Mesmo convicto de estar fazendo a coisa certa e sabendo que teria sido a vontade de Elvis, ainda assim não foi fácil.
Quando ele entrou na cozinha, na manhã daquele domingo para tomar café, pude ver a enorme tensão em seu rosto.
Embora aparentemente não estivesse comovido, ele me disse: "Nancy, eu sei que estou fazendo a coisa certa, mas isso não a torna mais fácil”.
Ele foi até o cemitério naquela tarde para supervisionar pessoalmente a remoção dos dois caixões.
Era seu jeito de cumprir o que ele sabia que tinha de fazer. Ele queria certificar-se de que cada detalhe seria devidamente feito.
Foi uma decisão difícil mandar enterrar Elvis [diretamente] no chão.
Elvis sempre comentara que não queria ser enterrado [diretamente] no chão. Ouvi ele dizendo isso em várias ocasiões, para amigos e membros da família.
Foi por isso que Vernon comprara uma cripta acima do solo, no cemitério de Forest Hills, e  tinha enterrado Elvis lá.
A princípio Vernon falou sobre a construção de uma cripta acima do solo, na área do jardim da meditação.
No entanto, depois de ser advertido sobre o enorme custo dessa construção, ele percebeu que não havia dinheiro suficiente para concretizar o projeto.
Ele e vovó já tinham decidido que a área do jardim da meditação seria o local de descanso final, não apenas de Elvis e Gladys, mas deles também.
Ele sabia que se a cripta fosse construída, teria que ser bastante grande, considerando o status de Elvis Presley.
Ouvi dizer que um milhão de dólares era a estimativa dos custos para o que Vernon queria. Claro, todos sabíamos que o preço foi aumentado apenas porque era para Elvis Presley.
Outro motivo para  Elvis ser enterrado no chão, era que seria mais difícil  o trabalho de escavar o túmulo, levando muito mais tempo e equipamentos especializados. [Ainda assim, mesmo enterrado diretamente no chão], nunca mais foi feita outra tentativa de roubo do corpo dele.
Acrescentou-se ao fato de Vernon não ter sido capaz de satisfazer o desejo de seu filho, de não querer ser enterrado no chão, o fardo de um pai já sobrecarregado, tentando fazer o melhor pelo seu filho.
Vernon também precisou fazer outra coisa frustrante, a fim de ter tudo pronto para o deslocamento dos corpos de volta para Graceland.
Enquanto planejava trazer Elvis e Gladys de volta para casa, ele também se preocupou com seu outro filho, Jesse Garon, o gêmeo que não sobrevivera ao parto, sendo deixado para trás no Mississippi.
Na época, sem condições financeiras, Vernon fora forçado a enterrar seu bebê em uma vala comum no cemitério Priceville, em Tupelo.
Vovó me contou, comovida, que, como eles, de tão pobres, não podiam pagar um caixão para o pequeno Jesse, o depositaram numa pequena caixa de papelão e assim o enterraram.
A família permanecera tão pobre durante os primeiros anos que nunca foi capaz de comprar uma lápide para ele.
Isso sempre preocupou Vernon e, agora que ele estava trazendo Elvis e Gladys para casa, ele pensou que seria uma boa oportunidade para localizar o corpo de Jesse e trazê-lo para casa e, deste modo, ter toda a família reunida novamente.
Em algum momento (creio que foi em meados de setembro), Vernon, juntamente com vários membros da família, fez duas viagens diferentes para o Priceville Cemetery, em Tupelo, na tentativa de localizar o túmulo de Jesse.
Contrataram os serviços de uma agência funerária para mudar o corpo de Jesse para Graceland, juntamente com o resto de sua família, se pudessem encontrar o túmulo.
Infelizmente, porém, o tempo e efeitos ambientais haviam apagado todos os indícios restantes para a localização do túmulo original.
Jesse nunca pôde ser localizado, e Vernon, com o coração muito pesado,  entrou na cozinha na noite de sua segunda e infrutífera viagem a Tupelo, anunciando a todos que ele decidira instalar [no jardim da meditação] uma placa memorial, como alternativa, para honrar a memória de filho Jesse. Vi lágrimas em seus olhos naquela noite.
Vernon tinha organizado uma singela cerimônia religiosa para ser realizada naquela noite de domingo, no novo local dos túmulos.
George Coleman, o eletricista, tinha instalado fios de iluminação no teto da grande tenda funerária, erguida sobre os dois túmulos recém cavados.
Apenas um punhado de amigos e familiares próximos foi convidado para a cerimônia.
Na verdade, lembro que havia, na cerimônia, mais pessoas da casa funerária  que familiares e amigos.
Várias cadeiras dobráveis tinham sido montadas para Vernon, tia Delta e Dodger, entre os túmulos e a área da piscina.
Tia Delta e Dodger estavam sentadas um pouco antes do início do culto, e Vernon se juntou a elas depois de ver os caixões sendo retirados dos dois carros funerários brancos e brilhantes.
Os dois veículos tinham sido cuidadosamente estacionados junto ao carro do culto, diretamente em frente ao jardim da meditação.
Não lembro exatamente o momento em que a cerimônia começou, mas parece que foi algo em torno das sete da noite.
Só lembro que o sol já tinha ido embora e o frio da noite de outubro, combinado com as luzes ofuscantes recém-organizadas da tenda funerária, fez a ocasião já sombria parecer ainda mais bizarra.
Do meu ponto de vista, perto da piscina, eu observava os homens da casa funerária descarregando e colocando o caixão de Elvis em um carrinho de rodas para, em seguida, conduzi-lo ao local do túmulo.
O silêncio da ocasião foi interrompido apenas pelo som abafado do tráfego vindo da rua abaixo - uma rua que recebera o nome de Elvis.
Não pude deixar de notar que o caixão de Elvis parecia tão brilhante como estava, várias semanas antes, durante o serviço fúnebre original.
Mas a grande surpresa para todos  foi que o caixão de Gladys, que estivera enterrado desde 1958, parecia brilhante e novo também.
Claro, ele tinha sido envolto em um jazigo muito caro durante todos aqueles anos e nos disseram mais tarde que tinha sido tocado um pouco pelos homens da manutenção no cemitério de Forest Hills, antes de ser trazido para Graceland.
Vernon comentou mais tarde com George Coleman, o eletricista, que tinha cuidadosamente inspecionado os caixões no cemitério, concluindo ter visto apenas uma pequena mancha de ferrugem, em uma das alças do caixão de Glady.
O caixão com o corpo de Gladys foi colocado em espera para baixar as alças sobre o túmulo aberto. Em seguida veio o caixão com o corpo de Elvis. Ele, também, foi colocado sobre o dispositivo de espera.
Assim que os homens retornaram aos carros funerários, começou o culto.
Não lembro quem conduziu o culto. Só lembro que foi muito curto e simples.
Vernon decidira de que a família já tinha sofrido angústia o bastante, e que este culto duraria apenas o mínimo necessário.
Após uma breve oração final, a família e os amigos iniciaram a curta caminhada em torno da área da piscina, de volta para a casa.
Nesse ínterim os assistentes funerários bateram os dois botões simultaneamente, liberando os caixões e permitindo-lhes descer lentamente para os túmulos.
Vernon fez uma volta na curva da piscina, parou e olhou rapidamente para trás, pela última vez, para as duas pessoas que ele havia amado mais do que qualquer outra  no mundo.
Com lágrimas, ele endireitou os ombros e voltou de vez para casa.
Ele me disse, no dia seguinte, que isso foi muito difícil, uma provação para ele, como a primeira vez que ele enterrara Elvis, seis semanas antes.
“Mas, pelo menos”, ele completou, "Elvis e sua mãe estão agora em casa novamente, desta vez para sempre. É assim que deve ser”.
Ele me disse que como tudo foi feito a seu modo, deu-lhe algum sentimento de paz. E ele com certeza precisava, Deus o sabe.
Ele agora poderia sair e visitar os túmulos deles, sempre que desejasse e sem se preocupar em ter sua privacidade violada, ao contrário do cemitério de Forest Hills, para onde centenas de fãs ainda caminhavam, em busca de ver o primeiro jazigo de seu ídolo.
Mesmo Elvis não estando mais conosco, poderíamos, pelo menos, ter os seus restos mortais, agora em casa. Graceland nunca mais seria a mesma.

Isto é um trecho de "Dentro de Graceland", de autoria de Nancy Rooks, ex-empregada de Elvis Presley, um testemunho precioso do dia-a-dia do rei do rock, cobrindo os últimos 10 anos de sua vida. A tradução em português é de Roseane Maria Silva, e eu tive o privilégio de revisar o texto e compilar o e-book em PDF. Baixe-o gratuitamente aqui.


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