APRENDENDO O MEU CAMINHO DE VOLTA
Voltei ao trabalho no
dia seguinte, cheia de expectativas e me perguntando o que o novo dia traria. Comecei
o segundo dia do mesmo jeito que no anterior - varrendo, limpando, mantendo a
casa em ordem de forma geral. Ao fim do dia eu estava na cozinha ajudando
Daisy, quando Priscilla entrou.
Fiquei impressionada
com o quão pequena e bonita ela era. Ela parecia tão jovem! Nós trocamos
gentilezas e eu me apresentei. Notei que, embora educada, ela era um pouco mais
reservada que os outros membros da família que eu conhecera no dia anterior.
Lembro-me que ela estava de calça escura e uma blusa cor clara. Seu cabelo era de
um escuro comprido e encaracolado.
Ela e Elvis tinham se
casado há apenas algumas semanas e ela tinha vindo para a cozinha para ajudar
com o café da manhã de seu jovem esposo.
Ajudei Daisy a
preparar primeiro o café da manhã de Priscilla: torradas francesas, um ovo
cozido, bacon e uma xícara de chá quente. Ela realmente amava chá quente, e eu
aprendi a fazê-lo com uma colher de chá de açúcar e um pouco de leite (me
custou algum tempo e várias tentativas antes de aprender a fazer a mistura de
leite e chá do jeito que ela gostava, mas finalmente aprendi). Elvis tinha
pedido para levar o café da manhã até seu quarto e, depois de terminar seu
próprio café da manhã no balcão da cozinha, Priscilla queria nos ajudar a
preparar o café da manhã dele. Ela cozinhou algumas coisas e me ajudou a
carregar parte da comida numa bandeja separada, e então nós duas seguimos pelas
escadas até o segundo andar e entramos no quarto.
Ele ficou agradavelmente
surpreso quando Priscilla entrou no quarto comigo levando parte de sua comida. Ela
estava determinada a ser a melhor esposa que pudesse, e isso incluía aprender
quais os alimentos preferidos dele.
No segundo dia já
começava a me sentir em casa naquela mansão e não tive problemas para entrar na
rotina e saber o que era esperado de mim.
Realmente não havia nada
programado; apenas, como tia Delta e Vernon tinham me dito no primeiro dia, era
“fazer o que precisava ser feito”. Eu rapidamente me adaptei à programação de
trabalhar para Elvis, e estabeleci uma
rotina diária de limpeza.
Um mês depois de contratada,
Daisy precisou de uma licença para ir a um funeral de um parente distante. Mais
tarde ela soube que tia Delta e Priscilla consideraram sua ausência demasiado
longa, e por várias razões. Ela acabou ficando fora por vários dias após o
funeral. Então, no dia em que voltou, ela estava fazendo algo na cozinha e eu
estava ajudando.
Eu tinha acabado de
levar a refeição de Elvis e Priscilla na sala de jantar e, ao voltar para a
cozinha, comecei a falar com ela.
Foi quando Priscila
entrou na cozinha e, na minha frente, disse a Daisy que seus serviços já não
eram necessários, e que ela deveria pegar seu último salário imediatamente no
escritório.
Daisy começou a
chorar e foi para o quarto de Dodger. Eu a segui até o quarto e ouvi ela
perguntando a Dodger se ela poderia fazer algo para ajudá-la. Dodger respondeu
que sentia muito, mas ela não tinha controle sobre quem era contratado ou
demitido.
Acho que Dodger teria
gostado de poder pedir para ela ficar, porque ela e Daisy sempre se deram muito
bem, mas ela aparentemente sentiu que não era de sua alçada interferir em
assuntos dessa natureza. E ela não se achava em posição de ir de encontro à
óbvia vontade de Elvis e Priscilla. Bem, como eu me lembro, Daisy saiu
imediatamente e nunca mais voltou a Graceland depois disso.
Depois que Daisy foi
embora, Priscilla me chamou à parte e me comunicou que eu ficaria no lugar de
Daisy como cozinheira, além de manter os meus deveres como empregada, e que eu
trabalharia lado a lado com Maria, a outra cozinheira do horário da manhã.
Portanto, em um mês,
eu fora promovida de simples empregada para cozinheira. Eu realmente não gostei
da demissão de Daisy, mas, olhando para trás, sei que isso me deu a
oportunidade de me aproximar de Elvis e sua família.
Sempre havia mudanças
ocorrendo no tocante ao pessoal da criadagem. Ao longo dos anos, Elvis empregou
muitas e diferentes cozinheiras. Alberta, que Elvis provocativamente chamava de
"Alberto V05" (nome de um creme de pentear usado após o xampu), tinha
sido a primeira cozinheira/empregada da família Presley. Ela foi contratada
quando a família ainda morava em Audubon Drive e mudou-se com eles para
Graceland. Eventualmente, Pauline foi adicionada à equipe, juntamente com
Maria, Lottie e eu.
Havia algumas outras
que trabalharam dentro e fora ao longo dos anos. Graceland, mantendo uma programação
de 24 horas, sete dias por semana, exigia um monte de gente, e também envolvia
muita sabedoria para manter as coisas funcionando sem problemas. Eu procurava
fazer o meu melhor para aprender tudo o mais rapidamente possível.
Conforme o tempo
passava, eu acabei fazendo um pouco de tudo em Graceland. Aprendi o que era
esperado de mim para manter a casa e o ambiente com seu melhor aspecto, e para
ajudar a manter a casa funcionando sem problemas.
Depois de limpar as
mesmas áreas repetidamente, você começa a ter uma ideia do que parece ser bom e
o que não parece, do que funciona e o que não funciona.
Como tudo o mais,
alguns aspectos do trabalho são sempre mais agradáveis que outros.
Uma das minhas
tarefas mais agradáveis era a limpeza e a manutenção da sala de troféus. Ela
reunia muitas das realizações feitas por
Elvis. Passei muitas horas limpando todos aqueles troféus, prêmios,
apresentações e certificados emoldurados, ficando totalmente imersa na
contemplação dos diversos prêmios já que lia cada um deles enquanto os limpava.
No final da década de
1960, seus macacões também foram guardados na sala dos troféus, e eu amava
cuidar deles também.
Foi uma honra estar
tão intimamente envolvida com alguns dos bens mais valiosos de Elvis, e tê-los
sob os meus cuidados.
Falando de bens
valiosos, eu quase fui responsável por danificar um dos bens mais caros de Elvis.
Um dia pedi a tia
Delta para limpar a poeira do lustre que ficava acima da mesa da sala de
jantar.
Cuidadosamente, tirei
meus sapatos, peguei uma toalha e a estendi na mesa, fiquei de pé sobre a
toalha e comecei a fazer a limpeza do lustre.
Limpei todas as luzes
na primeira haste e então pensei que a maneira mais fácil de limpar o restante
deles seria girando o tronco do lustre de cada vez, de pé em um ponto da mesa,
conforme ia limpando. Para minha surpresa, descobri que poderia girar todo o
lustre sem muita dificuldade.
Então assim eu fiz.
Limpei todas as luzes em uma haste e, em seguida, girei o lustre para a
esquerda para chegar à fileira seguinte. Dessa forma, pensei comigo mesma, eu
não teria que andar sobre a mesa. Tudo estava funcionando sem problemas e
fiquei surpresa com a facilidade com que o lustre girava.
No momento em que
cheguei à última haste, e estando satisfeita com meu “plano” de limpeza, senti,
de repente, o peso do lustre começando a escorregar para baixo levemente.
Dentro de alguns segundos começou a deslizar ainda mais, até que, finalmente,
eu tinha meus braços sob ele, temendo que a peça inteira estava prestes a cair
do teto.
Comecei a gritar, e,
em resposta, Mary, a outra cozinheira, veio correndo à sala. Ao me ver, disparou
para fora, à porta da frente, e trouxe George Coleman, o eletricista, que, por
sorte, estava fazendo alguns reparos na frente da casa. Depois de uma rápida
olhada, pulou no lado oposto da mesa e começou a girar todo o lustre na direção
contrária.
Como eu descobriria
mais tarde, o lustre não tinha sido devidamente fixado no teto, e, conforme eu
o rodei para limpá-lo, acabei, inocentemente, desacoplando-o do teto.
George, após o
conserto, explicou-me que aquele lustre, particularmente, era o maior que havia
na casa, e o mais caro. Ele também observou quão sortuda eu era pelo fato de
não ter caído sobre mim. Eu poderia ter me machucado seriamente devido ao
enorme peso, concluiu ele.
Elvis, felizmente,
estava dormindo em seu quarto lá em cima quando tudo isso aconteceu, e, ao que
parece, ele nunca ficou sabendo do incidente. George me garantiu que, mesmo se
o lustre inteiro tivesse se espatifado (na hipótese de eu escapar ilesa), Elvis
se limitaria a rir sobre o assunto. Ainda assim, fiquei aliviada em saber que
Elvis nunca soube disso. E, claro, eu nunca mais limpei o lustre daquele jeito
outra vez.
Já pensei muitas
vezes, ao longo dos anos, como fui feliz por ter um emprego em algo que
realmente gostei, por tanto tempo. Nos dez anos em que trabalhei em Graceland,
enquanto Elvis vivia (eu continuei a trabalhar lá depois que ele morreu), eu só
perdi cinco semanas de trabalho devido a uma operação de tireoide. Somente
posso dizer que todos os dias foram divertidos.
Sempre procurei fazer
como tia Delta e Vernon tinham me dito no primeiro dia – “tudo o que precisava
ser feito." Isso incluía tudo o que se possa imaginar. Ajudava tia Delta
no quintal a recolher os ovos no galinheiro, a pintar em torno da casa, varrer
as folhas para fora da varanda, atendia os telefonemas, levava as roupas para a
lavanderia. Eu era a atração de muitos olhares quando transportava um dos macacões
de Elvis para o Sr. Acker, na Lavanderia Whitehaven e quando tomava conta de
Lisa Marie. Lavei e encerei os famosos carros de Elvis, e até mesmo cheguei a
costurar as calças de Elvis, enquanto ele ainda as vestia.
Não havia quase nada
em Graceland que eu não tenha feito. Algumas das tarefas mais memoráveis para
mim eram as que envolviam estar perto de Elvis durante os raros momentos em que
ele só queria alguém para conversar. Como todo mundo, ele era humano, e às
vezes ele só queria alguém para conversar, e eu tive a sorte de ser a mais
próxima a ele, nesses momentos.
Eu limpava o
escritório dele no andar de cima e ele entrava na sala, sentava em um dos
sofás, e começava a falar comigo sobre coisas que o incomodavam. Às vezes, ele
começava reclamando sobre como alguém estava se aproveitando dele, ou sobre um
problema particular que ele estava tendo com outro dos seus funcionários.
Na maioria das vezes,
no entanto, ele só queria falar sobre assuntos em geral. Outro tema frequente
era sobre religião, e em várias ocasiões passamos várias horas discutindo seus
pensamentos sobre a morte e o céu. Ele realmente acreditava na vida após a
morte, e compartilhou comigo uma vez que ele passou muito tempo sentado na cama
dele pensando como seria ver a mãe dele novamente depois que ele morresse.
Ele me disse, em
várias ocasiões, que queria morrer em 14 de agosto, na mesma data em que sua mãe morreu. (Eu mais tarde
ficaria maravilhada com o quão perto ele chegou desse dia.) Nós compartilhamos
vários desses momentos particulares juntos e são memórias muito valiosas para
mim.
Eu também lembro com
saudade das horas passadas na cozinha em Graceland. Nesses muitos anos passados
ali, eu obtive uma rara visão do que o rei do Rock and Roll gostava de comer.
Como qualquer outra
pessoa, havia alimentos que ele realmente gostava, bem como aqueles que não
gostava. Muita gente não sabe, por exemplo, que ele tinha uma grande aversão a
peixe. Eu nunca soube por que ele não gostava muito, mas desde cedo aprendi a não
sugerir peixe para sua refeição. Ele me disse várias vezes que não gostava do cheiro
de peixe na casa.
Enquanto ele estava
fora, ou em Hollywood fazendo filmes, tia Delta ou Dodger diziam: "Estou
com vontade de comer peixe esta noite e acho que podemos comer, já que Elvis
está fora”. O único cuidado que tínhamos era consumir o peixe vários dias antes
dele voltar, para que o cheiro fosse completamente extinto da casa.
Uma das perguntas que
mais frequentemente me fazem é: “O que Elvis gostava de comer?”
Com algumas exceções,
como peixe, cozinhar para ele era muito fácil. Ele gostava do que eu chamo de
"estilo de comidas do Sul", que é o tipo de comida que eu tinha sido
criada comendo.
Muito tem sido dito
sobre ele ser parcial a este ou aquele tipo de comida, mas o fato é que ele
gostava de uma grande variedade. Ele era fixado em um estilo simples de comidas
do sul, o que significava grande quantidade de manteiga, molho de carne e
gordura. Ele gostava de alimentos simples, não de alimentos formais.
Ele adorava frango
frito, bolo de carne, carne assada, lasanha, e outras carnes de estilo
saudável, servidos com creme de batata, ervilhas, feijão verde, milho, tomate e
outros vegetais, tudo servido em grandes porções.
Todo mundo já ouviu
as histórias dos sanduíches fritos de banana com manteiga de amendoim, dos
grandes cheesburguers com batata frita e dos sanduíches de bacon gigantes. E,
sim, era isso mesmo. Em suma, ele gostava de comer tudo isso, especialmente nos
últimos anos. E, alguns podem dizer que, infelizmente, ele teve o luxo e os
meios para ter tudo o que ele queria.
Desde a primeira vez
que comecei a cozinhar para ele, fiquei preocupada com a saúde dele, vendo-o
comer todos esses alimentos ricos e gordurosos que ele queria que preparássemos
para ele.
Seu café da manhã
normalmente consistia de uma enorme quantidade de bacon da marca "King
Cotton", salsichas, ovos, torradas, café com doces, e suco de laranja. Eu
vivia preocupada vendo ele comer todo aquele bacon gorduroso; uma vez, tentei
tirar várias tiras de bacon do seu prato antes de levá-lo até seu quarto. Mas
ele estava me observando pelo monitor de TV instalado em seu quarto e, quando
eu entrei no quarto, advertiu-me que não fizesse mais isso.
Expliquei que só estava
tentando cuidar de sua saúde, e ele respondeu: “Eu preciso disso para ter
energia e me manter forte por causa da minha agenda, que é muito exigente. Eu
tenho um monte de pessoas que depende de mim”.
Pelo menos eu tentei.
Ele também tinha uma
enorme queda por doces. Aliás, ele provavelmente gostava de doces mais do que qualquer
outra pessoa que eu já conheci.
Ao contrário de
muitas pessoas que gostam de doces, ele não era muito de comer biscoitos ou
bombons (embora ele tivesse predileção por copos de manteiga de amendoim da
marca “Reese's”). Em vez disso, por exemplo, ele ficava sentado na cama,
comendo grandes quantidades de caixas de sorvetes e tortas caseiras. Torta de
creme de banana, de chocolate e torta de creme de ovo eram suas favoritas.
Ele também podia
consumir inúmeros picolés ou sanduíches de sorvete de uma só vez, assim como
todo tipo de bolos caseiros, desde que fossem feitos como Gladys fazia - com
muito açúcar. Ele também amava melancia e melão, e nós devíamos manter,
especialmente no verão, grandes tigelas dessas duas frutas cortadas em pequenas
fatias na geladeira que ele tinha lá em cima.
Em várias ocasiões,
especialmente em meados dos anos 1970, ele iria experimentar diferentes dietas
que se tornaram populares. Em uma ocasião, ele ficou fortemente envolvido (por
pouco tempo) em uma dieta de alimentos saudáveis que se tornou popular na Califórnia,
enviada de uma loja de alimentos saudáveis, em Los Angeles.
Ele ficou tão
convencido de que iria perder peso, que ele deu ordens à tia Delta para comprar
muitas dessas comidas, que foram enviadas congeladas em recipientes especiais;
mas, quando isso chegou, não havia espaço suficiente nas geladeiras de
Graceland para armazenar. Tia Delta perguntou se eu poderia levar um pouco e
guardar na geladeira de minha casa, e foi o que eu fiz.
Claro, Elvis
rapidamente se cansou dessa dieta, e mudou-se para outras coisas, esquecendo os
alimentos de dieta da Califórnia. Eu ainda tenho daquelas embalagens guardadas
na minha geladeira. Não consegui jogá-las fora.
Conforme o tempo
passou, comecei a assumir mais e mais responsabilidades. Fui ganhando o
respeito de tia Delta, que supervisionava o serviço diário da mansão. Ela era a
única que todo mundo procurava para saber o que precisava ser feito e mantinha
um olhar atento para certificar-se de que tudo estivesse correndo tão bem
quanto possível. Ela tinha o apoio de Vernon em tudo e, através dela, eu
aprendi o "dentro e fora" de como as coisas se encaixavam ali.
Eu me tornei
familiarizada com tudo naquela casa e com o terreno ao redor. A própria mansão
tinha a autêntica aparência de uma linda
casa antiga. Fiquei sabendo que pertencera, anteriormente, a uma família muito
rica de Memphis.
Pouco antes de ir
para o trabalho em Graceland, conversei com meu sogro a respeito da casa. Ele
me contou que, quando ele era mais jovem, trabalhava como lavrador em uma
fazenda próxima à estrada Millbranch em Whitehaven (uma comunidade predominantemente
afro-americana em Memphis, Tennessee). Disse que costumava ir a um dentista
que, na época, morava em Graceland, e que o dentista uma vez lhe extraiu um
dente que o incomodava muito.
Ele me contou que
sentou-se no primeiro degrau descendo para o porão, enquanto o dentista
arrancava o dente dele. Isso foi, obviamente, muitos anos antes de Elvis
comprar a casa.
Elvis se mudou para a
casa em abril de 1957, e imediatamente começou a reformá-la. Ele construiu o
famoso muro de pedras e instalou os portões musicais assim que comprou o lugar.
Eu soube que, apesar
de ter a casa pintada no mesmo dia em que foi comprada, Vernon tinha contratado
uma equipe de pintores que não eram sindicalizados. Quando a Associação de Pintores
local descobriu isso e ficaram cientes de que Elvis era um membro do Sindicato
dos Atores de Cinema em Hollywood, eles montaram estacas fora da casa, e por
vários dias perambularam em fileiras sobre o que levemente foi então uma viajem
na rodovia 51. Felizmente Vernon, ao que parece, tinha pedreiros contratados do
sindicato para construir o muro de pedra. Por um curto período de tempo havia
um letreiro na coluna esquerda do muro dizendo que a parede tinha sido
"orgulhosamente construída pelo sindicato dos pedreiros”.
A partir de então,
Vernon procurou se certificar de que qualquer trabalho que precisasse ser feito
na casa fosse executado por trabalhadores sindicalizados.
Eu lembro, sentada
com a avó em uma tarde, enquanto estávamos assistindo TV no quarto dela, quando
ela me contou sobre quando eles se mudaram para Graceland.
“Nós mudamos de
Tupelo para Memphis quando Elvis tinha apenas 13 anos de idade”, começou. “Para
falar a verdade nós não tínhamos nenhum dinheiro e tínhamos que continuar mudando
de um lugar para outro. Tudo isso mudou quando Elvis começou a sua carreira e
de repente ficou famoso."
Ela continuou:
"Elvis tinha dito a Vernon e Gladys para encontrar uma casa maior; uma
grande o bastante para não nos preocuparmos com vizinhos reclamando sobre as
multidões, e tal. Bem, Vernon e Gladys finalmente encontraram este lugar e todo
mundo amou o achado, especialmente Elvis.
“Naquele tempo, um
médico era o dono da casa. Ao lado da propriedade havia uma igreja, usada pelos
membros para guardar produtos enlatados. Então Elvis comprou a casa e nos
mudamos. Vernon e Gladys ficaram no quarto no térreo e Elvis mudou-se para o
quarto da frente no andar de cima. Eu também me mudei para um dos quartos no
andar de cima. Então, depois que Gladys faleceu, eu me mudei aqui para o antigo
quarto de Gladys e Vernon. Eu estou muito mais confortável aqui, porque não
tenho que subir as escadas. E aqui é onde eu pretendo ficar”.
Quando comprada por
Elvis, em 1957, a casa era bem diferente do que os visitantes veem hoje em suas
excursões. Para começar, a casa havia sido abandonada por algum tempo antes de
Elvis comprá-la. É difícil imaginar isso agora, uma vez que você já visitou o
lugar e o viu por dentro. Mesmo antes de Elvis e sua família se mudarem, isto
estava em um estado de abandono. Por um tempo ela tinha sido usada como uma
igreja, e serviços havia sido realizados na parte da frente da casa. O porão,
que na época era em grande parte inacabado, fora utilizado para várias funções.
Quando Elvis se mudou para cá, havia letreiros em dois banheiros públicos indicando
"Rapazes" e "Garotas” no que hoje é o principal corredor que
liga até a escada de volta para a “sala da selva” nas excursões dos visitantes.
O que os visitantes
veem agora no topo da escada é a famosa "sala da selva", que não
estava lá quando Elvis comprou a casa. Ela foi construída muitos anos depois
que ele se mudou. Antes era apenas um anexo fechado e escondido na varanda, uma
área que tinha sido um espaço aberto na parte de trás da casa. Mais tarde, foi
emparedado e as grandes janelas do pátio foram instaladas na parte de trás. E
tinha móveis regulares apropriados para a época.
Então, na década de
1970, Elvis a decorou com o estilo atual, instalou um carpete felpudo verde no
teto e uma cascata no final da sala. Os móveis de modelo polinésio comprados
por Elvis no mesmo período foram colocados na sala. Elvis disse que isso o lembrava
de suas visitas ao Hawaii, e que aqueles foram tempos felizes para ele.
A enorme cadeira
assentada ao lado da cachoeira era o local favorito de Lisa Marie para dormir,
enquanto ela crescia. Era tão grande que Lisa poderia facilmente se esticar sobre
ela e tirar seus cochilos. Nós mantínhamos um pequeno cobertor por perto para
cobri-la quando ela dormia lá.
Aquela cadeira era
tão grande que a janela mais à direita (quando se entra dentro do quarto) teve
de ser removida para que a cadeira entrasse. Um dos trabalhadores usou uma
chave de fenda durante a tentativa para forçar o invólucro de janela para fora
da estrutura, quebrando o vidro da janela, que teve de ser substituído.
Diz-se que foram
necessários vários dias antes de Vernon parar de reclamar sobre o quanto custou
a substituição dessa janela.
Elvis adorava a
cachoeira, que tinha sido projetada e instalada pela "Bernie Grenadier” do
cunhado de Marty Lacker, mas ao final acabou por não usá-la, porque ela tendia
a jogar água sobre o tapete quando ligada. Ficávamos constantemente limpando o
tapete molhado em torno dela depois que foi instalada pela primeira vez.
Outro quarto que é
destaque especial nas excursões em Graceland e que não fazia parte da estrutura
original é a sala de troféus. Ela foi originalmente revestida para fornecer um
espaço para um conjunto de carros de brinquedo de corrida que Priscilla deu a
Elvis como presente de Natal em um desses anos.
O que agora é a sala de
troféus originalmente era uma área aberta coberta de grama, atrás e ao lado da
sala de música, que continha duas grandes árvores de sombra. Elvis tinha uma
churrasqueira fixada lá que, devido à sua proximidade com a piscina, foi palco
de muitas noites divertidas de verão, e que eu presenciei. O que viria a se
tornar a sala de troféus como hoje os fãs conhecem, começou como uma longa
passagem revestida que leva da parte de trás da sala de música em toda a
extensão da frente da sala atual para a piscina.
Cortinas foram
adicionadas à parede traseira atrás do piano na sala de música para esconder as
portas existentes que originalmente levaram para essa passagem. Essa passagem
original é agora o corredor para o "Salão de Ouro" na sala de
troféus.
Voltando à década de
1960, Elvis tinha um número enorme de condecorações e prêmios pendurados em
torno das paredes do que é hoje a sala de TV, situada no porão. Isso foi antes
de ter sido redecorada para ele; este projeto atual azul & amarelo
relâmpago foi oferecido por Linda Thompson na década de 1970.
Eventualmente, à
medida que mais e mais troféus chegavam, foi decidido transformar o primeiro
andar em uma área de exposição, e é assim que ficou conhecida como a "sala
de troféus."
Como mencionado
anteriormente, o porão da casa era basicamente inacabado quando Elvis se mudou
pela primeira vez.
A única coisa lá em
baixo na época eram os dois banheiros públicos e algumas salas abertas. Elvis
terminou essas salas, que são agora a sala de TV, a sala de bilhar, uma
lavanderia e o que foi, por muito tempo, o quarto de Charlie Hodge (localizado
atrás da sala de TV).
Em mais de uma
ocasião, quando chovia forte, o porão inundava de água e Charlie saía da cama
com as luzes apagadas e andava na água parada. Eu lembro em várias ocasiões de
ouvir os gritos de Charlie vindos do porão, deixando-nos saber que ele tinha
saído da cama antes de acender as luzes no quarto dele.
Ao longo do tempo,
foram feitas alterações no primeiro nível da casa também. Quando Elvis comprou
a casa havia uma garagem para 4 carros ligada a ela. Assim permaneceu até 1960,
quando Vernon e Dee se casaram e se mudaram para Graceland com os três filhos
de Dee - Billy, Ricky e David Stanley.
Naquela época, Elvis
converteu a garagem em dois quartos anexados com uma área de sala de estar. O
"anexo" foi posteriormente modificado de várias formas e, ao longo
dos anos, tornou-se uma casa para vários integrantes da "Máfia de
Memphis". Creio que Priscilla ficou em um desses quartos quando ela veio
da Califórnia por ocasião da morte de Elvis.
Finalmente, ele foi
atualizado com uma cozinha moderna instalada quando Vernon se mudou para lá em
1978, um ano antes dele morrer. Ele tinha se mudado de volta para Graceland, da
rua Dolan, para estar mais perto de sua mãe e sua irmã Delta.
Por causa de sua
condição cardíaca, ele ficou no primeiro andar, para assim não ter que subir
calçadas; ele morava no anexo, no momento de sua morte em 1979.
Outras alterações na
casa ocorreram de forma bastante regular, com o passar dos tempos e as
necessidades que surgiam. O banheiro de Priscilla foi redecorado duas vezes
desde que ela saiu da casa no início dos anos 1970, uma vez para Linda e
novamente para Ginger.
O banheiro de Elvis
também tem uma nova aparência. No final dos anos 1960, ele o usava para lavar e
cortar seu cabelo.
Havia uma velha
cadeira de barbeiro, em que ele costumava sentar-se em frente à janela do
pequeno banheiro, e que foi usado para essa finalidade. Uma das coisas feitas
durante a reforma foi a instalação de um grande chuveiro arredondado no
banheiro. A cadeira de barbeiro foi então movida para o banheiro perto da
piscina na sala de troféus. Depois que ele tinha o seu cabelo cortado, eu
entrava e varria o cabelo e me certificava de ser jogado fora; assim ninguém
iria pegá-lo para vender.
O último quarto para
ser reformado era o de Elvis. Ele tinha quase todo o quarto feito em couro
escuro, incluindo o teto.
Uma vez ele me disse,
brincando, que estava pensando em ter uma cozinha instalada lá em cima.
"Dessa forma", falou, me provocando, "eu posso dizer antes de eu
me casar novamente se ela pode cozinhar!"
Ele mantinha o quarto,
que tinha as janelas bloqueadas, com cortinas pesadas, o que o tornava escuro
permanentemente.
Se você não sabia que
horas eram antes de entrar no quarto, você nunca seria capaz de saber, apenas
ficando em pé nele. Isso foi feito dessa forma por Elvis porque ele viveu sua
vida por um calendário completamente diferente do sol. Se ele queria ir para a
cama ao meio-dia, ele não tinha que se preocupar com a luz solar para mantê-lo
acordado. Assim, ele mantinha o quarto escuro o tempo todo e contava com a
iluminação [artificial] quando ele queria luz no quarto.
Ele tinha uma
habitual variedade de lâmpadas, mas a principal fonte de iluminação vinha de um
conjunto de luzes de néon que corriam ao redor do topo de todas as quatro
paredes do quarto. Havia, na verdade, duas cores de tubos de néon, que, quando
iluminadas juntas, deixava uma luz suave muito agradável que brilhava no teto.
Estas luzes foram embutidas atrás dos painéis no alto das paredes, criando um
sistema indireto de iluminação. Aquelas luzes ficavam acesas 24 horas por dia.
O interruptor para
aquelas luzes ficava na parede direita quando se entra pela primeira vez em seu
quarto; fica próxima do monitor da TV de satélite, em cima de uma mesa.
Na mesma parede ele
tinha pendurado uma placa emoldurada com um poema, que tinha sido escrito e
dado a ele por um amigo da família de Tupelo, Janelle McComb.
Ele também tinha uma
enorme cama "king-size" feita por encomenda, com um extravagante
sistema de braços construídos na cabeceira da cama, que lhe permitia retirá-los
e se sentar para assistir TV ou ler o jornal ou comer suas refeições, e depois
empurrá-los para fora do caminho quando ele estivesse pronto para ir para a
cama.
Quando chegaram para
entregar a cama, eu lembro que o pessoal da entrega fez alguém assinar algo
dizendo que a empresa de entrega não seria responsável por qualquer dano feito
no colchão, porque era tão grande que tiveram que dobrá-lo à força no meio para
subir a curva no topo das escadas e leva-lo para o quarto.
Felizmente, a cama
não foi danificada. A curva apertada no topo das escadas também causou outro
problema envolvendo um móvel, muitos anos depois.
Um longo sofá tinha
sido construído no lugar em toda a parede de trás do seu escritório, atrás do
local de sua escrivaninha, quando ele tinha comprado a casa. Um dia Elvis
decidiu substituí-lo por um novo sofá. Então ele disse aos carpinteiros para
removê-lo do escritório, levá-lo para baixo até o porão e colocá-lo na sala de
bilhar.
O caso não foi assim
tão simples. O que eles não levaram em conta foi que o sofá, que provavelmente
tinha pelo menos dez pés de comprimento, inicialmente tinha sido construído no
local e, assim, não poderia simplesmente passar pela porta, fazer a volta e
descer as escadas em torno do pequeno patamar estreito.
Após várias tentativas
infrutíferas, Vernon, finalmente, decidiu, desesperado, mandar cortar o sofá ao
meio apenas para conseguir passar pelo pequeno corredor e levá-lo para fora da
casa.
Assim, como só
acontecia em Graceland, estávamos todos naquela tarde, na cozinha, ao som de
uma serra elétrica no andar de cima cortando um sofá no meio. Se eu estivesse
em qualquer outra casa além de Graceland, provavelmente teria ficado alarmada.
O sofá (ou, devo
dizer, os sofás) nunca foi para a sala de bilhar. Vernon acabou dando uma
metade para mim e a outra metade para uma das outras empregadas. Eu fiz bom uso
dele por muitos anos na sala de estar da minha casa.
Tia Delta redecorou o
quarto da mãe dela depois que a avó faleceu. Ela o refez num bonito esquema de
cor verde ervilha.
No primeiro andar de
Graceland, a cozinha praticamente permaneceu a mesma ao longo dos anos, exceto
por uma ou duas restaurações ocasionais. Foram adicionados novos
eletrodomésticos, substituindo as velhas geladeiras verdes e vermelhas que
tinham lá, e os armários foram atualizados há muitos anos. Os tapetes também
foram mudados algumas vezes.
Há peças de acrílico
que agora protegem as gavetas e os eletrodomésticos dos turistas que caminha
perto deles nas excursões. Muita gente não sabe que a cozinha e a sala de
jantar ainda hoje são usadas por Priscilla e Lisa Marie. Em ocasiões especiais,
quando qualquer uma delas ou ambas estão em Memphis, elas ligam uma para a
outra e combinam para comerem juntas, como nos velhos tempos, ali mesmo na
mansão.
Após a última
excursão da noite, as peças de acrílico são retiradas em volta dos armários e
as refeições são realizadas, como costumavam ser preparadas e servidas na sala
de jantar.
A equipe de limpeza,
em seguida, limpa e guarda tudo de volta em seus lugares originais, antes dos
passeios serem realizados na manhã seguinte.
Originalmente, anos
antes da “sala da selva” ter sido adicionada à casa, tinha uma pequena mesa de
cozinha encostada a uma parede que estava localizada onde os poucos degraus que
descem para onde a “sala da selva” se encontra agora.
Elvis comia muitas
vezes suas refeições nessa mesa, junto com Vernon e Gladys. Essa mesa ficava
localizada em frente à área do longo balcão que percorria a cozinha. A cozinha
em Graceland, como na maioria das casas, sempre foi o centro das atividades. Também
era o coração da mansão. Era trazida à vida todos os dias pelo calor da família
Presley, sentados em torno desse balcão. Se as paredes da cozinha pudessem pelo
menos falar, quantas histórias elas poderiam contar!
Isto é um trecho de "Dentro de Graceland", de autoria de Nancy Rooks, ex-empregada de Elvis Presley, um testemunho precioso do dia-a-dia do rei do rock, cobrindo os últimos 10 anos de sua vida. A tradução em português é de Roseane Maria Silva, e eu tive o privilégio de revisar o texto e compilar o e-book em PDF. Baixe-o gratuitamente aqui.

Fiquei encantada lendo cada palavra, gostaria de ler mais
ResponderExcluirSobre meu único amor Elvis Presley. Obrigado.
Obrigado, em breve postarei os demais capítulos!
ExcluirObrigada esperarei ansiosa.
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